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Crítica

O Mandaloriano e Grogu é uma aventura divertida, mas não vai salvar Star Wars

Jon Favreau reúne os personagens de maior sucesso da saga no Disney+ agora nos cinemas

Omelete
5 min de leitura
19.05.2026, às 10H35.

Nem os fãs mais decepcionados com Star Wars conseguem negar que Grogu — ou Baby Yoda, para quem acompanha desde o início — foi um dos maiores acertos da Lucasfilm desde Darth Maul, 20 anos antes. A revelação no final do primeiro episódio de The Mandalorian, com uma criança (ou bebê) da mesma espécie do clássico mestre Jedi, tornou o pequeno personagem uma febre inesperada. Faltavam brinquedos, roupas e acessórios para suprir a demanda. Agora, três temporadas e quase sete anos depois, ele finalmente ganha as telonas em uma aventura própria com O Mandaloriano e Grogu.

Jon Favreau, criador da série do Disney+, assume as rédeas da transição do formato televisivo para o cinema. O desafio era grande. Star Wars, mesmo em seus momentos mais baixos, sempre foi um exemplo na parte técnica, com trilhas memoráveis e, claro, personagens marcantes para a cultura pop. Favreau não é nenhum calouro nesse jogo: foi das mãos do diretor que o bilionário MCU zarpou com Homem de Ferro, em 2008. Também foi com ele que O Rei Leão, goste-se ou não, arrecadou mais de US$ 1,6 bilhão em sua nova versão em CGI. Longe de ser apenas um operário, Favreau nunca escondeu que é também um apaixonado por suas criações, como uma criança que brinca com os melhores brinquedos possíveis.

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E é aí que mora o melhor e o pior de O Mandaloriano e Grogu.

o mandaloriano e grogu
Divulgação/Disney

A história continua de onde deixamos a dupla na terceira temporada. Mando (Pedro Pascal e seus dublês) segue prestando serviços para a Nova República, que caça ex-imperiais para prendê-los e julgá-los por seus crimes. Acompanhado por seu fiel escudeiro, o caçador de recompensas aceita um novo trabalho para resgatar Rotta, o Hutt (dublado por Jeremy Allen White), o filho de Jabba, que está preso e vivendo como um gladiador em outro planeta. Em troca, os tios do jovem gângster entregarão informações sobre um imperial de rosto desconhecido.

Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor, roteiristas do longa, fazem da história um grande prensado do que parece ser a ideia para uma temporada inteira de The Mandalorian. A estrutura é nitidamente dividida em cinco ou seis momentos que poderiam ser destrinchados em capítulos de um quarto ano: a missão na neve, a busca por Rotta, o coliseu, os Hutts e por aí vai. Com a popularização das maratonas em streaming e a quantidade insalubre de séries que não necessitam de oito ou dez horas para contar sua história, O Mandaloriano e Grogu surge como um respiro. Neste contexto, uma trama simples que não precisa se alongar mais do que seus (já longos) 132 minutos é um alento.

A dinâmica de pular de um cenário para o outro constrói  um ritmo acelerado, misturando perseguições com speeders, lutas contra criaturas gigantes e, claro, duelos de naves, tudo embalado por ótimos efeitos especiais. A trilha sonora de Ludwig Göransson, criador do tema de The Mandalorian — um dos mais icônicos de toda a franquia —, deixa esses momentos ainda melhores. O uso de sintetizadores dá um frescor à já famosa marcha do herói e confere a sequências como a perseguição nas ruas de Shakari um tom mais sci-fi do que fantástico.

E é impossível não elogiar o trabalho feito com Grogu. Se o personagem já havia ganhado o coração dos fãs com simples movimentos e grunhidos na TV, com a magia e o orçamento do cinema ele fica ainda melhor. Grogu participa mais da ação e ganha um momento próprio na história, justificando seu nome no título como o ponto alto da produção. Favreau mistura seus trabalhos anteriores na série e em O Rei Leão para criar uma aventura dentro da aventura para o Pequeno Baby Yoda, remetendo diretamente a clássicos como Gremlins, Willow: Na Terra da Magia, O Cristal Encantado e, claro, ao próprio Star Wars, com Yoda, Ewoks e outras criaturas carismáticas.

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Divulgação/Disney

O grande problema de O Mandaloriano e Grogu é que falta, justamente, novidade. Tudo o que assistimos lembra algo que gostamos na série ou em outros filmes — seja na própria saga ou em obras inspiradas por ela. Jon Favreau não cria um Star Wars novo, por assim dizer, mas faz uma grande mistura de tudo o que deu certo anteriormente e que, bem ou mal, aqui também funciona. Entretanto, falta ousadia, senso de perigo e surpresa. É difícil ficar encantado, mesmo que Grogu se esforce o tempo todo para arrancar um suspiro do espectador. A dinâmica entre mestre e aprendiz é o cerne de Star Wars, mas vemos poucas lições de verdade entre Mando e seu "filho".

A pior das ideias — e que deve dividir e atiçar ainda mais aqueles que dizem estar "largando Star Wars", mas nunca vão embora de fato — é Rotta, o Hutt. O personagem, apresentado na animação The Clone Wars, cresceu e virou um guerreiro em Shakari. No entanto, sua jornada no filme, feita para causar surpresa, não passa de uma tentativa frustrada de criar novos problemas parentais na franquia.. O personagem explica seu posicionamento pelo menos três vezes, duas delas em um intervalo de menos de 15 minutos. Sob todo o CGI, Jeremy Allen White não tem muito o que entregar além de um leve sotaque aqui e ali.

O Mandaloriano e Grogu parece uma grande manhã de Natal, na qual Jon Favreau ganhou brinquedos incríveis (entre eles Martin Scorsese, ótimo, e Sigourney Weaver) e só quer fazer com eles as brincadeiras que mais gosta. Elas são divertidas e carregam o carisma de sua imaginação, mas são as mesmas que ele já fazia com os brinquedos antigos. Para o primeiro filme de Star Wars em anos nos cinemas, após o gosto amargo deixado pela conclusão da história de Rey, Poe, Finn e Kylo Ren, e surfando no sucesso da dupla protagonista, isso é pouco ainda que seja divertido.

Nota do Crítico

O Mandaloriano e Grogu

The Mandalorian and Grogu

2026
132 min
País: EUA
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Noah Kloor, Dave Filoni, Jon Favreau
Elenco: Jeremy Allen White, Pedro Pascal, Sigourney Weaver, Martin Scorsese
Onde assistir:
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