Filmes

Crítica

Star Wars - Episódio II: Ataque dos Clones | Crítica

Star Wars - Episódio II: Ataque dos clones

Érico Borgo
28.06.2002
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h46
Atualizada em 29.06.2018 às 02h46

Fácil não é criticar Star Wars Episódio II - Ataque dos Clones.

Melhor do que trilogia original não é. Isso difícil ser. Quando George Lucas, o criador da saga, Guerra nas estrelas criou, outros eram os tempos. Produto não só de uma mente, mas também de uma época, os três filmes foram. Impossível a dose repetir.

Deixando o dialeto Yodês de lado, vamos aos fatos.

Muitos fãs sentiram que o Episódio I - Ameaça Fantasma ficou devendo. História ruim e pouco atrativa, um ator mirim constrangedor. Agora, é um grande alívio ver que Lucas voltou aos trilhos com sua franquia épica. Vinte e cinco anos depois do primeiro filme, a Força continua forte no cineasta.

O roteiro está melhor amarrado e foram criadas personagens com maior relevância. Acredite, até o Jar Jar Binks (Ahmed Best) encontrou seu espaço na trama. Pena que são tantos e não há tempo para explorá-los todos. Claro que os diálogos continuam beirando a cafonice (e chafurdam nela nas cenas românticas), mas isso já virou característica da saga. Até mesmo as cenas de ação estão mais integradas com a história. São mais curtas, porém mais numerosas e importantes.

Entretanto, o melhor mesmo é o cenário político. Palpatine (Ian McDiarmid), outrora senador (e futuro imperador), tornou-se chanceler supremo. Sua ascensão ao poder e a conseqüente ruína da república estão tomando forma. É um deleite observar as peças que faltam no quebra-cabeças de Star wars encaixarem-se aos poucos.

Ataque dos Clones também tem o mérito de recuperar o fascínio pelos mistérios da saga. Deixa de tentar explicar a composição científica da Força e coisas do tipo, e concentra-se nos motivos que levarão um dos jedis mais promissores da ordem a trair e aniquilar seus semelhantes. Aliás, Jake Lloyd, o garotinho de Ameaça fantasma, ficou no passado. Hayden Christensen, que interpreta o jovem Anakin Skywalker no filme, torna fácil acreditar que vai se transformar no temível Darth Vader. Seus motivos são fortes. Sua humanidade é visível, em contraste com a dos outros jedis, totalmente no controle de seus instintos e emoções. Fica claro que o mestre Yoda tinha razão em temer seu treinamento.

Conexões a história estabelece

Ataque dos clones começa dez anos depois dos eventos mostrados em Episódio I.

A república encontra-se num período de turbulência. Ameaçada por um movimento separatista, liderado pelo misterioso Conde Dookan (o sempre competente Christopher Lee), ela teme uma guerra civil intergaláctica. Sua única esperança reside nos ombros dos combalidos cavaleiros jedi, cujo número é insuficiente para um conflito em larga escala. Esses acontecimentos, controlados por uma força extremamente poderosa e ainda desconhecida, levarão ao início da Guerra dos clones e iniciarão o processo que culminará no fim da república.

Para combater a potencial ameaça, o chanceler supremo Palpatine, cada vez com mais pinta de político brasileiro, autoriza a criação de um exército para ajudar os jedi e garante ao senado que devolverá o poder assim que a crise passar.

Para votar contra a criação de tal exército, a senadora Padmé Amidala (Natalie Portman) dirige-se a Coruscant, o coração da república. No entanto, assim que chega ao planeta, sofre um atentado. Preocupado, o conselho jedi ordena que ela seja levada de volta a seu planeta natal. Seu acompanhante será o jedi padawan (aprendiz) Anakin Skywalker, que nutre, em segredo, sentimentos pela bela moça há uma década.

A partir daí, duas tramas paralelas se desenrolam. Uma mostrando o amor proibido que nasce entre Anakin e Padmé e sua posterior viagem à Tatooine, de extrema relevância para seu futuro. A outra traz Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), o mestre de Anakin, em investigação para descobrir quem está por trás da tentativa de assassinato da senadora. A convergência entre as duas tramas explode em um batalha espetacular no planeta Geonosis, envolvendo dezenas de jedis, centenas de andróides, monstros gigantes e milhares de soldados. Em jogo, o destino da república. Pelo menos, é o que parece...

Técnico primor

Entretanto, como já era esperado, é mesmo nos recursos técnicos que se esmera Ataque dos Clones. Tal qual em Ameaça fantasma, os efeitos especiais são absolutamente fantásticos e incomodam em pouquíssimos momentos. A trilha sonora, novamente criada e orquestrada pelo lendário compositor John Williams, repete e mistura temas de todos os outros filmes, modificando e incorporando-os às novas sequências. Escutar a Marcha imperial, o tema de Darth Vader, durante as fortes cenas que mostram Anakin sucumbindo pela primeira vez ao lado negro, já vale o ingresso.

O filme também estabelece inúmeras novas relações entre todos os filmes da saga. A continuidade jamais é deixada de lado. Como exemplo, podemos citar a fazenda da família Lars, vista pela primeira vez em Episódio IV, que é mostrada bem mais nova em Ataque dos Clones. O desenho original da Estrela da morte também aparece sendo estudado pelos conspiradores, bem como as naves, que já começam a se parecer mais com as que conhecemos da trilogia original. Essa preocupação é evidente até mesmo no figurino e maquiagem. Palpatine está mais pálido e magro, a caminho de se tornar o decrépito imperador de O retorno de jedi. Amidala veste roupas e tem cabelos muito semelhantes aos que sua filha Léia (Carrie Fischer) usará em Uma nova esperança e assim por diante.

Ataque dos clones também traz algumas similaridades com O Império Contra-ataca, o melhor filme de toda a saga. Porém, nem de longe obtém a mesma dramaticidade. Ambos possuem romances em seus roteiros e são mais sombrios do que seus antecessores. Os dois também terminam com muitas dúvidas e pontas soltas. Todavia, ao contrário de Império, o Episódio II abre caminho para o filme que pode vir a ser um dos melhores de toda hexalogia, o Episódio III.

Imagine só... no terceiro filme da primeira trilogia, Lucas terá que mostrar o fatídico destino da ordem dos cavaleiros jedi e sua extinção nas mãos de Darth Vader, outrora um de seus mais brilhantes aprendizes. Também veremos o combate entre Anakin e Obi-Wan, que terminará com o segundo destinado a usar, para o resto de sua vida, a armadura negra. Também veremos o exílio forçado de Obi-Wan e Yoda nos confins do universo. Lucas também terá que lidar com a dor da separação de Padmé de um de seus filhos e o triunfo do mal, do lado negro da força, revelado finalmente no imperador Palpatine. É ou não é motivo para esperar ansioso até 2005? Se Lucas pelo menos deixasse outra pessoa cuidar da direção, ficando em sua especialidade - efeitos especiais e produção -, tenho a impressão de que o filme seria um dos maiores da história de Hollywood.

Para o final o melhor fica

Voltando ao Yodês... para o final, o melhor guardei. Caso de mais algum motivo para assistir ao Star Wars - Episódio II: O Ataque dos Clones você precise, servir este deve. Lutar, Yoda decide.

O mestre jedi diminuto, depois de raios e demonstrações de seu poder mental trocar, o sabre de luz desembainha e um espetáculo garante.

Agora, se a ideia a você não empolga, talvez Star Wars a sua praia não seja.... ;-)

Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones
Star Wars: Episode II - Attack of the Clones
Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones
Star Wars: Episode II - Attack of the Clones

Ano: 2002

País: EUA

Classificação: LIVRE

Duração: 132 minutos min

Direção: George Lucas

Elenco: Ewan McGregor, Natalie Portman, Hayden Christensen, Christopher Lee, Ian McDiarmid, Samuel L. Jackson, Rose Byrne, Frank Oz, Anthony Daniels, Kenny Baker, Matt Doran, Alan Ruscoe, Veronica Segura, Silas Carson, Oliver Ford Davies, Ron Falk, Jay Laga'aia, Jimmy Smits, Daniel Logan, Temuera Morrison, Pernilla August, Ayesha Dharker, Joel Edgerton, Jack Thompson, Bonnie Piesse, Andrew Secombe

Nota do Crítico
Ótimo