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Spring Breakers | Crítica

Quando GTA, Britney Spears, Scarface, Girs Gone Wild e musas Disney se encontram

Érico Borgo
07.09.2012, às 13H30
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H37
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H37

Seios em câmera lenta, corpos seminus movendo-se de forma lasciva enquanto litros e litros de bebida jorram e espirram em supersaturada fotografia à beira-mar. É a abertura de Spring Breakers, filme de Harmony Korine que mostra uma viagem de quatro jovens para a famosa semana em que vale tudo na cartilha do periguetismo descontrolado entre os estudantes dos EUA.

Vividas por Selena Gomez, Vanessa Hudgens, Ashley Benson e Rachel Korine, as meninas são as últimas a sair de sua escola, já que lhes falta dinheiro para a jornada. A solução bem em um inspirado plano sequência, com uma delas dirigindo um carro roubado ao redor de um restaurante. Pelas janelas, vemos a ação das outras duas, que roubam os fregueses com armas faltas e marretas. Esta feito o primeiro erro de muitos em uma semana de sexo, drogas e criminalidade (sim, as musas da Disney cresceram).

Spring Breakers

None

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As quatro protagonistas estão ótimas - completamente entregues -, mas é mesmo James Franco quem rouba a cena. Seu personagem, o gangster/rapper/mothafucka Alien é hilário em alguns momentos, perigoso e assustador em outros, e absolutamente frágil nos demais. Um mafioso na visão de uma mulher, um Scarface para a geração que cresceu jogando Grand Theft Auto e ouvindo Britney Spears, dentro do contexto de Girls Gone Wild.

A fotografia usa uma estética que valoriza cores e contrastes, abusando de iluminação alternativa (até luz negra é empregada na obtenção de tons cítricos e fosforescentes), para emular uma grande viagem de drogas, uma espécie de sonho. A ideia evidencia a estranheza dessa semana, em que estudantes de todo o país se lançam em um frenesi quase religioso em torno do sexo, música e substâncias diversas, uma libertação de outras 51 semanas em meio ao "Sonho Americano" criado pelos puritanos (as cenas no ambiente domado da escola são completamente diferentes, com luz fria e câmera em close-ups opressivos).

A esse idealizado visual junta-se uma edição rítmica, quase musical, em que cenas viram refrões e riffs, há variações de tom, monólogos em off e verdadeiros videoclipes inseridos na trama (se você gosta da citada Britney, prepare-se para uma interpretação sentida e sem medo de ser brega, com dança ao pôr-do-Sol e tudo, de uma de suas músicas).

O diretor não poupa em estilo e busca uma liguagem inquieta, às vezes difícil de absorver, mas sempre interessante. A mensagem é um tanto desencontrada, porém. A glamurização da violência e da ausência de regras pode ser interpretada como um convite, mas é tudo tão cercado de absurdos e situações extremas que ora tudo parece um alerta. De qualquer maneira, o diretor jamais submete as suas personagens a qualquer julgamento. "Garotas só querem se divertir" e Korine dá exatamente isso a elas.

Veja clipes de Spring Breakers

Acompanhe as críticas do Festival do Rio 2013

Spring Breakers: Garotas Perigosas
Spring Breakers
Spring Breakers: Garotas Perigosas
Spring Breakers

Ano: 2012

País: EUA

Classificação: 14 anos

Duração: 92 min

Nota do Crítico
Ótimo

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