Filmes

Crítica

Sombras da Noite | Crítica

Em sua adaptação do novelão, Tim Burton junta duas obsessões: a crônica da família disfuncional e a história de amor de inspiração vitoriana

Marcelo Hessel
21.06.2012, às 16H27
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H35
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H35

Trazer o gótico para o dia a dia e subverter as cores do subúrbio com suas monstruosidades era a especialidade de Tim Burton nos anos 80/90, e com as estreias de Sombras da Noite (Dark Shadows) e Frankenweenie neste ano o cineasta retoma esses temas - particularmente em Frankenweenie, o conto de fadas frankensteiniano, como em Edward Mãos de Tesoura (1990), e no caso de Sombras da Noite, a comédia de situações familiares, como em Os Fantasmas se Divertem (1988).

sombras da noite

None

sombras da noite

None

sombras da noite

None

A trama do filme não foge muito da premissa do seriado de TV Dark Shadows, em que se baseia. Em 1972, presenciamos a empoeirada realidade da família Collins, que dá nome à cidade de Collinsport, no Estado americano do Maine, e não tem mais o mesmo prestígio do passado. Casamentos desfeitos e crianças infelizes hoje ocupam a mansão Collinwood, mas isso muda quando um antepassado, o vampiro Barnabas Collins (Johnny Depp), desperta de um sono de 175 anos. Enquanto se habitua aos alucinados anos 70, Barnabas decide restabelecer o bom nome dos Collins - e quem sabe reencontrar o amor que perdera no passado, Josette (Bella Heathcote).

Sombras da Noite parece ser, desde o começo, um compêndio dos temas de Tim Burton, porque também absorve (na subtrama do vampiro e sua musa) o romantismo de época que se destaca na produção do cineasta nos anos 2000, em filmes como A Noiva Cadáver e Sweeney Todd. Equilibrar esses dois filmes em um - a crônica da família disfuncional e a história de amor de inspiração vitoriana - é um desafio, e o roteiro de Seth Grahame-Smith, que sofreu com a correria das filmagens e passava por revisões no set, tem dificuldade para aguentar o tranco.

Como todo novelão, Dark Shadows conjugava na TV subtramas diversas, mas num longa-metragem muita coisa, uma vez elaborada, acaba ficando mal resolvida: há o garoto que vê fantasmas, a médica com medo de envelhecer, o drama da empresa familiar, a garota abusada em busca de um recomeço. Sombras da Noite começa muito bem na hora de apresentar os personagens - e o estranhamento inicial de Barnabas com a família Collins sugere que teremos uma dinâmica parecida com a de Beetlejuice com os vivos em Os Fantasmas se Divertem - mas quando as subtramas acumulam o foco se dilui.

É por isso que Sombras da Noite funciona melhor como um apanhado de boas piadas de situação (ora fazendo graça com a contracultura, ora com a cultura "oficial", kitsch, dos anos 70) do que, propriamente, como aquilo que o projeto parecia almejar no papel: ser uma homenagem à série de TV. Eva Green rouba a cena no papel da bruxa Angelique (a personagem é a melhor resolvida no texto, o que acaba ajudando) e Johnny Depp consegue dar a Barnabas uma identidade própria, que não seja só uma variação do mesmo freak sósia de Michael Jackson.

Tudo indica que Frankenweenie (versão longa de um curta de 1984 de Burton, não custa lembrar) vai se sair melhor nessa releitura das velhas fixações do cineasta com os monstros românticos de subúrbio. Vamos ver.

Sombras da Noite | A coletiva de imprensa em Los Angeles

Sombras da Noite | Cinemas e horários

Sombras da Noite
Dark Shadows
Sombras da Noite
Dark Shadows

Ano: 2012

País: EUA

Classificação: 14 anos

Duração: 113 min

Direção: Tim Burton

Elenco: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Jackie Earle Haley, Jonny Lee Miller, Eva Green, Bella Heathcote, Chloë Grace Moretz, Gulliver McGrath, Christopher Lee, Alice Cooper, Ivan Kaye, Susanna Cappellaro, Raffey Cassidy, Josephine Butler

Nota do Crítico
Regular

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.