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Crítica

Sobrenatural: Capítulo 2 | Crítica

Sequência repete erros e acertos do antecessor

Thiago Romariz
21.11.2013
18h40
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Há pouca novidade em Sobrenatural: Capítulo 2. A estética oitentista emulada no primeiro filme está de volta e confirma o talento de James Wan para dirigir cenas de terror. Nos últimos anos, poucos cineastas conseguiram trazer referências de uma maneira tão original quanto o malaio, responsável pelos ótimos Jogos Mortais e Invocação do Mal.

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Na primeira sequência da carreira, Wan reforça o apreço pela subjetividade nos planos e o traço artesanal de suas criaturas. Todo esse estilo foi mostrado em Sobrenatural e voltam na segunda parte, que também repete os erros de seu antecessor. Além de não manter a tensão construída de início, o terceiro ato da Capítulo 2 abusa das resoluções fáceis, desgastando uma trama que já não apresentava tanta originalidade desde o começo.

Os altos e baixos da história passam, principalmente, pela pouca diferenciação que faz dos personagens. Muitas vezes os mais sérios são inclusos no arco de um personagem cômico, dando pouca relevância aos problemas apresentados em seguida. Apesar de funcionarem bem de forma isolada, o terror e a comédia do filme se misturam e atrapalham a construção alguns membros da família Lambert, que flutuam entre os dois gêneros sem o equilíbrio ideal.

Boa parte dessa indecisão fica evidente no terceiro ato, quando o filme decide explicar minuciosamente as simplórias investigações que faz ao longo de uma hora. São diálogos expositivos e didáticos para uma história sem a complexidade para tal. Até ali, a direção de James Wan é segura e econômica, pois poupa o espectador de sustos gratuitos - há sempre um clima de tensão construído sem uma trilha pesada ou aparições repentinas. Wan sabe usar a câmera e a maquiagem para apavorar. Não existe computação gráfica, nem arroubos sonoros - a não ser pela ótima e estridente abertura.

Sobrenatural: Capítulo 2, portanto, repete os erros e acertos de seu antecedente, além de confirmar as virtudes e defeitos de Wan. Enquanto perde a mão na conclusão das histórias que cria, o cineasta expõe uma abordagem crua, quase caricatural, que faz dele um dos melhores diretores de gênero dessa geração.

Nota do Crítico
Bom