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Sobrenatural | Crítica

Novo terror dos idealizadores de Jogos Mortais surpreende e resgata o terror trash oitentista

Érico Borgo
21.04.2011
16h24
Atualizada em
05.11.2016
07h03
Atualizada em 05.11.2016 às 07h03

A dupla idealizadora da franquia Jogos Mortais, James Wan e Leigh Whannell, se reúne na direção e roteiro de um novo filme de terror. Completamente distinto da série de "torture porn", Sobrenatural (Insidious, 2010) está mais próximo de outra série de sustos, Atividade Paranormal - e conta, não por acaso, com o diretor do filme de assombração, Oren Peli, na produção.

Wan, Whannell e Peli empregam aqui muitas das lições aprendidas em seus projetos anteriores. Primeiro - e mais importante -, usam a sugestão para criar uma atmosfera poderosa. Além disso, estabelecem conexões emocionais fortes antes de começarem a devastar a família que está no centro da trama. Por último, aprenderam que sugestão é algo ótimo, mas efetivamente mostrar alguma coisa é recompensador.

Sobrenatural

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O trio também aposta em um bem-vindo humor, especialmente na segunda metade, que faz com que Sobrenatural traga à memória as produções oitentistas do gênero, como A Casa do Espanto (House, 1986), A Hora do Espanto (Fright Night, 1985) e os primeiros filmes de Sam Raimi. O clássico Poltergeist - O Fenômeno(Poltergeist, 1982) também é homenageado mais de uma vez. A mistura de situações e personagens cômicos (o próprio Leigh Whannell tem um papel) com sustos, imagens aterrorizantes e impecável sonoplastia é certeira.

Sobrenatural é também surpreendentemente bem filmado. Há sequências excepcionais, como o plano em que a esposa vivida por Rose Byrne (Presságio) vai tirar o lixo enquanto um espectro dança na sala (e não era ele ali no cantinho da lavanderia, virado para a parede?). Ou a brincadeira com ângulos, com o homem de preto passando na varanda, e a ótima cena em que um demônio grudado no teto é descrito.

O filme sai do lugar-comum, busca algo diferente nesse tão desgastado gênero e o faz com efeitos práticos e qualidade cinematográfica (de novo, é nos enquadramentos e sugestões que a primeira metade faz muito bonito e assusta de verdade). As reviravoltas mantêm o interesse e despistam o espectador. É difícil saber o que acontecerá a seguir. O que é mal-assombrado, afinal? A casa, o filho, a família? Todas as anteriores?

O flerte com o terror oitentista, porém, desmorona no clímax, quando o personagem de Patrick Wilson (o Coruja de Watchmen) cruza as dimensões em direção ao Além. Entram em cena figurinos ruins, muito (MUITO) gelo seco e sets redecorados de maneira brega ou simplesmente copiada do trabalho de Neil Gaiman e Dave McKean (Sandman e Mr. Punch são referenciados descaradamente na máscara da paranormal e no covil do Homem do Rosto Vermelho). A ideia do que aconteceria no Além, adiantada pela médium Elise (Lin Shaye) era muito mais poderosa do que a realização, digna de mansão mal-assombrada de parque de diversões de praia. Quase toda a tensão obtida na excelente primeira metade do filme se esgota nessa sequência e na sequinte - quando o estroboscópico embate físico entre as forças do mal e a família acontece.

O retorno aos anos oitenta é bacana, mas os exageros trash New Wave da época precisam ser empregados com parcimônia. São forças poderosas demais para serem controladas por meros mortais dos realistas anos 2000.

Sobrenatural | Cinemas e horários

Nota do Crítico
Bom