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Crítica

O Lado Bom da Vida | Crítica

Bradley Cooper e Jennifer Lawrence brilham em bem-humorado filme sobre pacientes psiquiátricos

Érico Borgo
10.09.2012
01h04
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

É uma das marcas de David O. Russell (O Vencedor) dar espaço aos atores, sem grandes interferências. O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook), seu novo filme, repete essas intenções, deixando rolar as fantásticas interações entre Bradley Cooper (Se Beber Não Case) e Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes), que anda a passos largos para tornar-se a melhor atriz de sua geração em Hollywood.

Os dois vivem pessoas com problemas psiquiátricos em recuperação. Cooper interpreta Pat Solitano, um sujeito bipolar que teve uma crise que quase resultou na morte de alguém. Lawrence vive Tiffany, mulher agressiva, com dificuldade em superar a morte absurda de seu marido. Ainda que se estranhem inicialmente, ambos se encontram graças a amigos em comum e começam um projeto de mútuo benefício.

Silver Linings Playbook

None

Apesar de tratar de temas sérios, o filme encontra humor de sobra em seu material e a edição evidencia os diálogos rápidos e carregados dos atores, afiadíssimos (atenção no rosto de Cooper, constrangido com Adeus às Armas, de Ernest Hemingway). O elenco de apoio também brilha - é reconfortante ver Robert De Niro, como o pai obsessivo-compulsivo de Pat, em sua melhor forma desde as parcerias com Scorsese, e reencontrar o desaparecido Chris Tucker, sempre hilário. A cena da aposta, em que o quarteto divide o quadro, falando todos ao mesmo tempo, é a melhor do filme.

O Lado Bom da Vida é um filme preocupado meramente com seus personagens e nas atuações - e eles não decepcionam. O clímax, que lembra um pouco o clássico independente Pequena Miss Sunshine, é memorável e engraçado, sem ser forçado em momento algum. Uma história sobre reencontrar o amor e a si mesmo, sem breguice e focada no "excelsior", a palavra-chave de positividade repetida por Cooper ao longo do filme. A encontrar o humor na depressão, sem minimizar o problema, O. Russel mais uma vez realiza um trabalho louvável.

Nota do Crítico
Ótimo