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Crítica

Ação de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis impressiona apesar de trama comum

Melhores coreografias de luta do MCU e brilhantismo de Awkwafina e Tony Leung levam história de origem do herói para além do arroz e feijão

Nico Garófalo
31.08.2021, às 13H41
ATUALIZADA EM 03.09.2021, ÀS 17H23
ATUALIZADA EM 03.09.2021, ÀS 17H23

Embora tenha apresentado algumas das sequências de ação mais grandiosas do cinema na última década, o MCU raramente entrega a mesma qualidade e emoção em suas cenas de porradaria mano a mano. Seja em Capitão América: Guerra Civil, Viúva Negra ou Pantera Negra, os confrontos físicos sempre foram assombrados por cortes rápidos e numerosos, que ajudam a esconder os rostos dos dublês dos astros da franquia. Talvez por isso houve certo receio quando o Marvel Studios anunciou Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, longa que inevitavelmente teria que entregar lutas melhor coreografadas do que as que o estúdio apresentou recentemente. Felizmente, a direção de Destin Daniel Cretton e a dedicação de Simu Liu - aliados a uma equipe experiente de coreografia de artes marciais, comandada por Andy Cheng - permitiram que o filme correspondesse a essa expectativa.

Diferentemente de blockbusters modernos, cujas lutas são picotadas na ilha de edição, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis mantém o impacto dos golpes à vista do espectador, que sente cada soco desferido pelos personagens. Liu, que já expôs cada passo de seu treinamento nas redes sociais, comanda lutas empolgantes e dinâmicas, com coreografias que aliam a intensidade de longas de Bruce Lee à adaptabilidade de Jackie Chan e a magia visual de obras como O Tigre e o Dragão. Seja em um ringue ou dentro de um ônibus, a produção entrega porradaria de primeira categoria, talvez as melhores do MCU desde Capitão América: O Soldado Invernal (2014).

Mesmo com lutas memoráveis, Shang-Chi tem uma história de origem genérica e guarda poucas surpresas para quem tem acompanhado o domínio de filmes de super-herói das últimas duas décadas. Embora envelopado em um belo retrato da mitologia chinesa, o longa não escapa de um arco genérico de ritmo inconsistente, muito prejudicado por flashbacks que parecem pertencer a um filme completamente diferente. Mesmo que tenham importância na construção da história, essas cenas são mal encaixadas e fazem com que cada um dos 132 minutos do longa sejam sentidos.

O terceiro ato também é afetado pela generalização dos blockbusters. Prometendo uma luta épica entre Shaun/Shang-Chi (Liu) e Wenwu (Tony Leung), Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis abre mão de uma de suas principais competências para dar lugar a uma briga de monstros de computação gráfica e poderes luminosos à la Dragon Ball. A grandiosidade do momento é visualmente impressionante e conta com efeitos muito bem trabalhados, inclusive está alinhada com o que se faz hoje no cinema de ação chinês na era do CGI, mas pode decepcionar quem espera um duelo à moda antiga de filmes de artes marciais

Awkwafina e Tony Leung roubam a cena

Enquanto a construção das cenas de ação marca o ponto alto de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, o trabalho do elenco principal impede que o longa se arraste mesmo em momentos mais verborrágicos ou expositivos. Assim como outros atores antes desconhecidos que o antecederam na franquia, como Chris Hemsworth e Tom Hiddleston, Simu Liu tem atuação competente e mostra que, com o material certo, pode assumir os holofotes do MCU quando necessário. Sua passagem por Kim’s Convenience lhe permitiu desenvolver o timing cômico exigido pelo humor típico das produções do Marvel Studios e o impediu de ser engolido pelo carisma e talento de Awkwafina.

A comediante, aliás, é uma das grandes responsáveis por tornar o filme memorável. Com suas caras e bocas características, a criadora de Nora From Queens dá um charme de sitcom autorreferente a Shang-Chi. Agindo como representante do público no longa, Awkwafina ilustra todo o absurdo e a maravilha passados pelas produções de super-herói.

Equilibrando o humor de Awkwafina, o astro chinês Tony Leung faz sua estreia em Hollywood com um papel cheio de personalidade e nuances. Com uma enorme presença de tela, o ator chama a atenção de todas as cenas em que aparece para si, de certa maneira ajudando a disfarçar alguns buracos deixados pelo roteiro, como o desenvolvimento precário de Xialing (Meng’er Zhang) ou a aparição aleatória de Trevor (Ben Kingsley).

Ainda que prejudicado por problemas pontuais, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis consegue ser mais do que apenas mais um capítulo do MCU. Além de introduzir atores com potencial para carregar a franquia nos próximos anos, o longa traz cenas de ação de qualidade e que estabelecem um novo patamar a ser igualado por outros blockbusters de ação da Marvel, sejam ou não protagonizados por mestres de artes marciais.

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis
Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings
Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis
Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings

Ano: 2021

País: Estados Unidos/Australia

Classificação: 12 anos

Duração: 132 min

Direção: Destin Daniel Cretton

Roteiro: Andrew Lanham, Dave Callaham, Destin Daniel Cretton

Elenco: Meng’er Zhang, Simu Liu, Ben Kingsley, Awkwafina, Michelle Yeoh, Tony Leung Chiu-Wai

Nota do Crítico
Ótimo

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