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Crítica

A Sétima Alma | Crítica

Wes Craven em um dos piores esforços de sua carreira

Érico Borgo
09.12.2010
18h33
Atualizada em
21.09.2014
14h12
Atualizada em 21.09.2014 às 14h12

Wes Craven fez história na década de 1980 ao criar a série A Hora do Pesadelo. Mais do que um realizador que soube como assustar a audiência, Craven foi extremamente feliz ao compreender e trabalhar no filme temas próximos ao seu público-alvo, como a perda da inocência e o sentimento dos jovens da época de estarem presos nos subúrbios com seus sonhos.

Freddy Krueger tem, portanto, um estofo metafórico que explica parte de seu sucesso. Sem falar no design inspirado, ameaçador e ao mesmo tempo repulsivo do personagem - e as memoráveis distorções de percepção da realidade de sua edição. Desde então, Craven só conseguiu repetir tal sucesso com a série Pânico - mérito que dividiu com Kevin Williamson, outro que conseguiu alcançar uma geração na série de TV Dawson´s Creek.

A Sétima Alma

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Em A Sétima Alma (My Soul to Take, 2010), fica evidente a tentativa de Craven de reproduzir seus feitos passados. Em seu primeiro roteiro original desde 1994, o cineasta apresenta um novo serial killer, o Estripador de Riverton. Na história, 15 anos depois de sua suposta morte - que abre o filme -, o maníaco volta para liquidar sete crianças nascidas prematuramente naquela fatídica noite.

O problema fundamental dessa nova tentativa é justamente a desconexão do diretor com o público atual. Craven escreveu um filme para adolescentes da década de 1980, e não para a geração Y de hoje - e no caminho se esqueceu que um violento filme de maníaco não se pinta apenas com baldes de sangue. E tome obviedades como correria no mato, o tradicional embate "atletas contra nerds", sustos no espelho, e uma trama que força demais ao tentar despistar o público na direção errada o tempo todo.

O elenco abismal disparando os verborrágicos diálogos do diretor, que teima em explicações longas e desnecessárias sobre cada aspecto da mitologia que tenta criar, complementa o desperdiçado esforço do veterano. Há algumas ideias boas aqui e ali, mas todas são mal exploradas posteriormente ou caminham para desenvolvimentos clichês. O desfecho é especialmente vergonhoso e uma das piores sequências de morte dramática recentes.

Craven claramente está perdido. Não sabe para quem escreve ou o que dá medo hoje em dia. Torçamos para que ele aprenda com o péssimo retorno de seu filme e retorne à linha do bom Voo Noturno, em que ele pareceu, mesmo que por um instante, ter lembrado certas regras que ajudou a criar para o gênero.

Veja três cenas de A Sétima Alma
A Sétima Alma | Horários e cinemas

A Sétima Alma
My Soul to Take
A Sétima Alma
My Soul to Take

Ano: 2010

País: EUA

Classificação: 16 anos

Duração: 107 min

Direção: Wes Craven

Roteiro: Wes Craven

Elenco: Max Thieriot, John Magaro, Denzel Whitaker, Zena Grey, Nick Lashaway, Paulina Olszynski, Danai Gurira, Jeremy Chu, Emily Meade, Raúl Esparza, Jessica Hecht, Frank Grillo, Elena Hurst

Nota do Crítico
Ruim

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