Pôster de Schumacher

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

Schumacher faz pouco mais do que recapitular carreira do heptacampeão

Documentário reconta história do piloto na Fórmula 1, mas não traz nada que não possa ser encontrado na Internet

Nico Garófalo
14.09.2021
16h48

Para qualquer um que tenha acompanhado a Fórmula 1 entre o final dos anos 1990 e começo dos anos 2000, Michael Schumacher será para sempre lembrado como um dos melhores atletas de todos os tempos. Filho de funcionários de uma pista de karts, o alemão cresceu no cenário da velocidade e desenvolveu um senso de direção instintivo que o levou a ser um dos mais jovens campeões da categoria. Assim sendo, não é de se espantar que o heptacampeão tenha se tornado tema de documentário em uma das maiores produtoras de conteúdo global da atualidade.

Dirigido pelo trio Hanns-Bruno Kammertöns, Michael Wech e Vanessa Nöcker, Schumacher relembra os momentos mais importantes da vida profissional do alemão, tentando recriar a emoção de cada uma de suas conquistas. Há, no entanto, um retrato extremamente parcial dos acontecimentos que, ao mesmo tempo que exaltam as habilidades de Schumi, parecem diminuir os feitos de seus rivais no esporte, inclusive Ayrton Senna e Mika Häkkinen, com quem ele competia ponto a ponto.

Schumacher também releva de maneira irresponsável as grandes polêmicas do alemão. O documentário simplesmente ignora as acusações de irregularidades por parte da Benetton em 1994, quando Schumi venceu o campeonato mundial pela equipe, e justifica seu choque proposital em Jacques Villeneuve em 1997 como consequência de seu espírito competitivo. Embora fosse esperado que um filme alemão olhasse com um certo grau de parcialidade para um de seus maiores ídolos, usar o signo do piloto como razão para suas atitudes repreensíveis faz com que o longa pareça pouco mais do que uma página da Wikipédia editada por um fã.

Há, no entanto, momentos emocionantes misturados à repetitiva tentativa de aliviar as polêmicas de Schumacher. Depoimentos de sua esposa, Corinna, e dos filhos, Mick e Gina-Maria, ajudam a mostrar um pouco mais a faceta humana do piloto para além de sua atitude hipercompetitiva. Junto às imagens de celebrações, os depoimentos da família têm potencial para levar lágrimas aos olhos dos fãs, especialmente quando abordam a vida de Schumi após seu acidente de esqui em dezembro de 2013. O sentimento presente no terceiro ato do documentário destoa do restante do longa, que passa mais de uma hora pintando o alemão como uma máquina imbatível.

Esse carinho mostrado na reta final do longa é justamente o que torna Schumacher frustrante. Se o mesmo empenho em mostrar o homem por baixo do capacete fosse aplicado no restante do filme, o documentário teria um significado maior do que apenas uma narrativa rasa baseada na memória seletiva de torcedores.

Schumacher
Schumacher

Ano: 2021

País: Alemanha

Classificação: 12 anos

Duração: 112 min

Direção: Hanns-Bruno Kammertöns, Vanessa Nöcker, Michael Wech

Roteiro: Hanns-Bruno Kammertöns, Vanessa Nöcker, Michael Wech

Nota do Crítico
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