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Crítica

Rush - No Limite da Emoção | Crítica

Rivalidade história da Fórmula 1 é retrato de uma época

Érico Borgo
17.10.2014
14h26
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Rush - No Limite da Emoção (Rush, 2013) é um testamento à obsessão de dois homens.

O filme de Ron Howard relembra a história real da rivalidade entre dois pilotos de Fórmula 1 nos anos 1970, o austríaco Niki Lauda e o britânico James Hunt. Ambos foram esportistas formidáveis e habilidosos, ainda que em lados opostos da mesma moeda: Lauda, pragmático, centrado e preciso. Hunt, mulherengo, farrista e agressivo.

Rush - No Limite da Emoção

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Rush - No Limite da Emoção

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Howard divide igualmente o tempo de tela entre os dois, fazendo da rivalidade esportiva o foco do filme e explorando o interior de cada homem através dela. Personagens são desenvolvidos dentro de seus cockpits - e pequenos detalhes dizem quem eles são.

A Fórmula 1 setentista é um retrato de uma das décadas mais interessantes do século passado - eram os descontrolados e intensos anos da perda da inocência, da derrocada do otimismo do pós-guerra e da vontade de quebrar paradigmas, fossem eles sociais, políticos, de costumes ou meramente de rechaçar um recorde pelo prazer de fazê-lo, mesmo que se isso significasse abrir mão de sua própria segurança.

Em tempos de carros superseguros - e o esporte declinando em popularidade no Brasil, sem talentos como os do passado - é difícil imaginar que a Fórmula 1 um dia foi quase gladiatorial. Pilotos entravam nas pistas sem saber se terminariam a corrida, os acidentes eram frequentes e violentos, e um dele morria por ano, em seu desejo por velocidade e ansiedade por testar limites.

Lauda, hoje com 64 anos, participou ativamente do roteiro do filme, tendo conversado constantemente com o escritor Peter Morgan. Suas memórias estão todas ali, ainda que ele conteste em entrevistas a seriedade extrema com que foi retratado, já que "ao final de cada corrida, todos festejavam. Estávamos vivos!".

O piloto foi interpretado com intensidade por Daniel Brühl (com dentes falsos para dar o aspecto de "rato" que Lauda tinha). Chris Hemsworth (o Thor da Marvel), por sua vez, tem o trabalho mais fácil, já que seu personagem é mais convencional e não parece muito diferente dos seus trabalhos anteriores. De qualquer maneira, as interações entre ambos são os pontos fortes do longa, sejam as conversas fora das pistas ou as disputas dentro delas.

Competente em sua recriação de época e dos campeonatos, com fotografia granulada emulando filmes dos anos 70, edição sem arestas (ainda que repita algumas soluções um pouco mais do que deveria) e música adrenada de Hans Zimmer, Rush - No Limite da Emoção é um raro exemplar de filme de esporte que realmente empolga. O envolvimento emocional com os personagens garantido pelo roteiro torna cada curva e aceleração na reta dramáticas - e quando o inevitável momento pelo qual espera-se o filme todo finalmente chega, a corrida está vencida e palavra obsessão ganha um novo significado.

Nota do Crítico
Ótimo