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Crítica

Run Amok encara a bagunça de ser adolescente na era dos tiroteios escolares

Filme com Patrick Wilson brilha pela atuação central da jovem Alyssa Marvin

Omelete
3 min de leitura
30.01.2026, às 10H46.
Run Amok

Créditos da imagem: Sundance

Talvez Meg (Alyssa Marvin), a protagonista do simpático e irregular Run Amok, se sinta obrigada a fazer algo. Quando ela descobre que sua escola está preparando um evento para relembrar as vítimas de um atentado que tirou a vida de três alunos e uma professora de artes – sua mãe – dez anos antes, a adolescente, cujas sensibilidades artísticas e musicais são tão herdadas quanto auto-impostas, imediatamente decide preparar uma peça para o evento. 

Como a aluna do coração do Sr. Shelby (Patrick Wilson), o professor de música que impediu um massacre maior quando – usando a arma de um policial ferido na cena – matou o estudante que perpetuou esse episódio horrendo em sua própria escola, ela é a escolha lógica para preparar esse espetáculo musical. Ao mesmo tempo, Shelby e os colegas de Meg, incluindo a prima mais velha Penny (Sophia Torres), não conseguem evitar uma certa preocupação. Tratar do assunto não é pesado demais para a filha de uma das vítimas? Ainda assim, Meg insiste, está tudo bem. Talvez transformar aquilo num projeto, numa narrativa, lhe ofereça um espaço seguro para encarar essas emoções.

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Run Amok, claro, logo nos mostra que as coisas não são simples assim. Combinando pilares tradicionais das comédias de adolescentes no ensino médio com dramas sensíveis sobre crescer na era dos tiroteios escolares, o filme dirigido e escrito por NB Mager tem resultados irregulares. Ainda que, como um todo, a obra seja simpática e convidativa, a mistura de temas proposta pela trama oferece desafios para a diretora, que aqui transforma seu curta de 2023 em longa-metragem.

Isso se vê especialmente na dificuldade de Mager para controlar os diferentes tons de comédia e drama que surgem de sua história. Curiosamente, há bons e maus exemplos de ambas situações. A cena em que, como estudo para a peça, Meg e seu elenco passeiam pelo corredor onde o ataque aconteceu e recriam os acontecimentos é tão impactante quanto alguns dos ensaios da turma são engraçados. Semelhantemente, os elementos de sátira que Wilson precisa encabeçar com a criação de uma “Associação Armada de Pais e Professores” na escola saem pela culatra com tanta força quanto os encontros de Meg com a mãe do atirador (Elizabeth Marvel); inicialmente interessada na mulher para “pesquisa”, a garota a transforma numa espécie de mãe-substituta num relacionamento estranho que o filme nunca sabe abordar.

Entre altos e baixos, porém, está a atuação de Marvin. De perfil mais quieto e desajeitado, mas com uma personalidade determinada e língua rápida, sua Meg é instantaneamente magnética. Marvin sustenta os dois lados de Run Amok com mais equilíbrio que o próprio filme, entregando tanto um humor que surge naturalmente quanto lágrimas das quais nunca duvidamos. Não é exagero dizer que o longa sobrevive por conta dela, e apesar de seu trabalho não ser um que eu caracterizaria como chamativo, a atriz rapidamente se mostra digna e capaz de estar no centro da câmera.

Não é injusto supor que, sem ela, Run Amok poderia cair em armadilhas que o próprio texto do filme sugere. Seja por falta de tato na hora de lidar com assuntos sérios ou por falta de timing na hora de contar uma piada, é fácil perder o equilíbrio com as ideias levantadas por Mager. Graças a Marvin, Run Amok nunca cai de vez.

Nota do Crítico

Run Amok

Run Amok

2026
107 min
País: EUA
Direção: NB Mager
Roteiro: NB Mager
Elenco: Molly Ringwald, Elizabeth Marvel, Alyssa Marvin, Sophia Torres, Bill Camp, Patrick Wilson, Margaret Cho
Onde assistir:
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