Ruim pra Cachorro (Universal Pictures/Divulgação)

Créditos da imagem: Universal Pictures/Divulgação

Filmes

Crítica

Ruim pra Cachorro é besteirol com mensagem

Comédia de animais falantes usa as facilidades do humor instantâneo para ensinar sobre relações tóxicas

Omelete
3 min de leitura
29.09.2023, às 14H14

Não se deixe levar pelo título e sinopse um pouco tolas de Ruim pra Cachorro. No meio de piadas sobre cocô, peidos, sexo com sofás, bad trip de cogumelos e Dennis Quaid, o novo filme de animais falantes com humor adolescente faz uma coisa que muitos tentam, mas raramente conseguem: retratar todas as complexidades e nuances que envolvem a dinâmica de um relacionamento abusivo sem cair em clichês.

A comédia besteirol acompanha a jornada transformadora de Reggie, um Border Terrier otimista e ingênuo, dublado na versão em português por Wendel Bezerra (Bob Esponja). Nas mãos do seu dono, o sem vergonha e desprezível dono Doug (Will Forte), o cachorrinho é xingado, menosprezado e agredido sem cerimônias ou desculpas. Mas mesmo com tudo isso, ele acredita que seu dono só quer o melhor para ele, que está sendo cuidado e, pior, que está sendo amado. Por isso é fácil para ele se manter nessa relação – acima do fato dele ser um cachorro, claro –, já que é a única referência que ele tem de amor e acolhimento.

Para Reggie, essa relação até pode funcionar. Para Doug, que está sempre em busca de se livrar do bichano por ele quebrar o seu bong ou arruinar um de seus relacionamentos, esse não é o caso. Mas quando o dono finalmente consegue, Reggie se vê nas ruas sozinho, uma situação temporária – pelo menos é o que ele pensa. Sua percepção sobre o dono sacana muda a partir do momento em que Reggie conhece Bug (dublado por Fábio Rabin), um Boston Terrier destemido e invocado, que o tira um pouco da caixinha e atua como seu guia espiritual. 

A partir do encontro, o filme passa a navegar por uma vertente bem distinta de coming of age misturado com filme de estrada, com as desventuras e confusões de um personagem principal que se perde de casa e está em busca de retornar. Nesse sentido, é até um pouco similar a Barbie, seguindo a premissa do herói que sai do lar, conhece o mundo real, quebra a cara, passa por dificuldades, encontra amizades inesperadas e aprende um pouco mais sobre si mesmo na jornada. 

No entanto, o percurso de Reggie em busca de voltar para casa, mesmo que seja para se vingar do ex-dono após ter percebido que foi conscientemente abandonado, não segue uma trajetória simples. Passando por vários estágios de vergonha, rejeição, e pela iminente tristeza que uma vítima de um relacionamento abusivo enfrenta, o cão abandonado caminha o duro processo de perceber que não estava inserido em uma dinâmica saudável ou amorosa com seu parceiro.

Ruim pra Cachorro é embalado por um senso de humor que seu primo da quinta-série vai amar e que remete aos filmes de adolescente dos anos 2000, como American Pie, Cara, Cadê o meu Carro? ou EuroTrip, o que facilita a tarefa de ser ignorado pelos espectadores mais céticos. Mas, a seu modo, o filme escrito por Dan Perrault (Vândalo Americano) e dirigido por Josh Greenbaum (do excelente Duas Tias Loucas de Férias) encontra uma dignidade ímpar ao falar da toxicidade a dois – nem que isso signifique ter que colocar mil piadas sobre cocô de cachorro no meio disso para disfarçar a seriedade ou sentimentalismo que o tema carregue. 

Nota do Crítico
Bom
Ruim Pra Cachorro
Strays
Ruim Pra Cachorro
Strays

Ano: 2023

País: Estados Unidos

Duração: 93 min

Direção: Josh Greenbaum

Roteiro: Dan Perrault

Elenco: Isla Fisher, Will Ferrell, Jamie Foxx

Onde assistir:
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