Roma - Um Nome de Mulher | Crítica
Roma - Um nome de mulher
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Veterano respeitadíssimo do cinema argentino, Adolfo Aristarain continua em plena atividade, apesar dos 63 anos - 41 deles atrás das câmeras. Seu novo longa-metragem, Roma - um nome de mulher (Roma, 2005), sucede o aclamado Lugares comuns, que obteve boa repercussão também aqui no Brasil.
Tendo deixado para trás o problema da crise argentina - tema obrigatório na recente cinematografia portenha - em seu sensível filme anterior, a nova obra tem cunho autobiográfico. Não é exatamente a história do cineasta, mas se apropria de algumas passagens de sua vida, principalmente no que diz respeito à mãe, Roma (vivida com grande competência no filme por Susú Pecoraro), cujo nome batiza a produção.
Tempos distintos dividem a ação. O presente traz Joaquín Góñez (José Sacristán), um escritor recluso, aceitando a contragosto um estagiário enviado por sua editora madrilena para ajudá-lo com sua autobiografia. Cabe ao jovem Manuel (Juan Diego Botto) a árdua tarefa de fazer com que o esquivo Joaquín respeite os prazos e entregue sua atrasada obra, criada - como ele faz questão de ressaltar - por pura necessidade financeira.
Conforme a dupla trabalha e o livro se desenvolve, entram flashbacks contando passagens da vida do autor, desde a infância em Buenos Aires, no início dos anos 1950, à violência política dos 1970s, passando pela liberação sexual e boemia do final da década de 1960.
Esse vai e vem é bem conduzido pela mão firme e acadêmica de Aristarain, dono de grande formalismo. Mas há problemas de roteiro. Ou melhor... roteiro em excesso. Com duas horas e meia de duração, o filme torna-se cansativo. Sobram acontecimentos corriqueiros e faltam momentos mais incisivos que justifiquem tal duração. O interesse na história não se sustenta e a olhadinha no relógio é inevitável lá pela metade da fita. A impressão que fica é a de que o diretor tem demasiado apego pela película e recusou-se a deixar no chão da sala de edição trechos irrelevantes para a trama, cuja ausência daria maior consistência à história. Até a figura da mãe, a suposta grande homenageada, se perde em meio às longas desventuras do filho.
De fato, até os ensinamentos do pai (Gustavo Garzón) parecem mais importantes ao protagonista, afinal, são eles que abrem e fecham o filme. Sobram à matriarca alguns momentos de sacrifício, mas suas atitudes perante Joaquín soam exageradamente santificadas. Se a Roma de verdade realmente criou Adolfo Aristarain assim, deve ser dela a culpa pela falta de pulso do filho na hora da montagem. Filho único, sabe como é...
Roma - Um Nome de Mulher
Roma
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