Rocketman

Créditos da imagem: Paramount/Divulgação

Filmes

Crítica

Rocketman

Filme é um espelho de Elton John: é brega, épico, divertido, sombrio e verdadeiro

Fábio de Souza Gomes
26.05.2019
17h17
Atualizada em
30.05.2019
11h35
Atualizada em 30.05.2019 às 11h35

O longa mostra a vida do músico desde a infância e ressalta a transformação do tímido Reginald Dwight no astro Elton John. Para contar essa história, o roteirista Lee Hall colocou o protagonista em uma reunião dos Alcóolicos Anônimos e, com isso, criou um mecanismo que permitiu que o personagem principal se mostre vulnerável e aberto ao mesmo tempo que é desonesto. Nem sempre o que John diz durante a reunião é o que aconteceu ao longo de sua vida e isso faz com que Taron Egerton tenha ainda mais camadas para trabalhar esse homem tão complexo.

Ao longo de sua jornada, John teve problemas com drogas, álcool, raiva, para assumir sua sexualidade e ao contrário de outras cinebiografias, o filme não esconde nada disso. Isso enriquece a história e faz com que o público veja que ali existe um homem, não apenas um ícone imaculado. Com tanto material para trabalhar, Egerton brilha.

O ator está impressionante no papel principal. Ele consegue pegar cada maneirismo de John, que vai desde a maneira como anda até o jeito de sorrir, e praticamente desaparece no papel, especialmente nos momentos musicais. Egerton fez questão de cantar todas as músicas do filme e foi capaz de criar uma voz que lembra muito a de John ao mesmo tempo que cria sua própria versão para os clássicos, que são usados de maneira inteligente para levar a história para frente.   

O filme não tem medo de ser um musical clássico. Ao invés de focar em como o cantor criou cada uma de suas composições, as músicas são utilizadas para ressaltar o sentimento dos personagens em cenas específicas e dão um clima de fantasia a essa história verdadeira. Existem momentos em que elas são utilizadas de uma maneira intimista como no caso de “Your Song”, que ressalta o nascimento do laço entre ele e Bernie Tapin (seu letrista e melhor amigo interpretado de maneira cativante por Jamie Bell); existem momentos mais trágicos como no caso de “Goodbye Yellow Brick Road”, que ressalta o eventual afastamento dos dois compositores de personalidades tão distintas; e momentos épicos e grandiosos com gigantescos números de dança como em “Saturday’s Night Alright”, que serve para mostrar tudo o que o tímido Reggie Dwight tinha guardado dentro de si - algo que mais tarde seria mostrado no figurino.

Ao longo de sua carreira, o cantor sempre se destacou pelos figurinos espalhafatosos e impressionantes que usou no palco e o filme faz um trabalho incrível de reproduzi-los. O trabalho de Julian Day ajuda a ressaltar ainda mais a diferença entre Reginald Dwight e Elton John tanto nos palcos como na vida real. A transição de um homem comum para uma estrela também está no figurino, que ajuda a contar a história e também a diferenciar Elton dos outros coadjuvantes do filme.

John sempre se sentiu um homem solitário e suas roupas espalhafatosas ajudam a destacá-lo e também isolá-lo da multidão. John sempre teve dificuldade em se conectar e pessoas ao seu redor usaram sua insegurança e medo de ficar sozinho para empurrá-lo para destruição. Os dois principais representantes disso são seu pai, vivido por Steven Mackintosh, e seu empresário, interpretado por Richard Madden. O primeiro se recusa a mostrar qualquer carinho ao filho e o segundo se aproveita da carência de John para usá-lo para ganhar mais dinheiro. Ambos são fundamentais na evolução do protagonista e são os melhores coadjuvantes ao lado do Tapin de Jamie Bell

Rocketman é um filme honesto em todas as maneiras. Ele é o espelho de Elton John: é brega, épico, divertido, sombrio e verdadeiro. O filme não foge das polêmicas e cria um musical pouco comum e delicioso de assistir. 

Nota do Crítico
Ótimo