Filmes

Crítica

Robin Williams: Entre na Minha Mente

Documentário da HBO celebra a carreira do ator, lembrando como era apaixonante assistir às suas performances

Mariana Canhisares
07.08.2018
21h23
Atualizada em
10.08.2018
18h35
Atualizada em 10.08.2018 às 18h35

Existe algo fascinante em tentar entender a mente dos grandes ídolos, quase como se dissecando a cabeça deles fosse possível ver o mundo pelos seus olhos. Ou, então, descobrir o que há por trás de todo aquele sucesso. Com essa proposta, o novo documentário da HBO Robin Williams: Entre na Minha Mente sacia parte dessa curiosidade dos fãs e desperta o interesse mesmo daqueles que pouco acompanharam a vida e a obra do ator e comediante.

HBO/Divulgação

Narrar a história de Williams do começo ao fim poderia facilmente tornar o documentário uma obra rasa e desinteressante. Felizmente, a diretora Marina Zenovich encontra equilíbrio no retrato que faz das questões pessoais e profissionais de Williams ao contar a biografia cronologicamente. Ainda que seja uma proposta mais convencional, a estrutura permite que o telespectador estabeleça a relação entre os problemas e os êxitos das duas esferas da sua vida e acompanhe a ascensão profissional e todas as suas complicações.

Entretanto, seguir este formato também cobra um preço. O uso predominante de fotos para retratar sua infância e de vídeos genéricos do período torna o início do documentário um pouco lento. Mesmo com a narração do próprio Williams dando uma sensação mais intimista, isso nem sempre é suficiente para contornar a diferença de ritmo do filme. Somente quando a carreira dele como comediante começa a se traçar que a produção ganha fôlego e de fato prende a atenção.

É claro que ouvir a admiração de grandes nomes que assistiram Robin Williams de perto, como David Letterman e Billy Crystal, amplia a imagem do gênio cômico e dramático já muito conhecida. Mas o mais interessante destes depoimentos é entender que por trás do artista havia uma vulnerabilidade que pouco se via. Não apenas pelo seu envolvimento com drogas e álcool, mas porque a relação dele com a comédia ia além do mero trabalho. Era como se somente no palco ele fosse pleno.

Mesmo assim, a âncora do filme está no humor do seu personagem. Mais do que as entrevistas, o resgate de esquetes e vídeos antigos dão o real peso da contribuição cultural que ele representou. Não é à toa Letterman diz que pensou em se aposentar depois de vê-lo na Comedy Store. Há algo de apaixonante em assistir as performances Robin Williams e o documentário preserva esse espírito.

Nota do Crítico
Bom