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Crítica

R.I.P.D. - Agentes do Além | Crítica

O desperdício de uma potencial franquia de ação e comédia

Thiago Romariz
26.09.2013
20h00
Atualizada em
29.06.2018
02h45
Atualizada em 29.06.2018 às 02h45

Ao olhar o projeto de adaptação aos cinemas de R.I.P.D. - Agentes do Além, HQ de Peter Lenkov, Lucas Marangon e Randy Emberlin, não há muito espaço para o fracasso. Estão lá uma dupla policial carismática, seres sobrenaturais e sequências mirabolantes de ação. Quase uma receita pronta para um blockbuster de verão, tivesse ele alto ou baixo orçamento.

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Contudo, o filme dirigido por Robert Schwentke e estrelado por Ryan Reynolds e Jeff Bridges é uma aula de como desperdiçar qualquer um dos quesitos supracitados. Não há elenco ou efeitos que salvem um roteiro com personagens mal desenvolvidos e sem fidelidade à fonte de inspiração. Durante boa parte do tempo, R.I.P.D. tenta emular o humor e a química de M.I.B., mas não consegue evoluir em nenhum dos casos.

Na história, o policial Nick Cruz (Reynolds) é assassinado e, no 'Além', entra para a polícia espectral chamada Rest in Peace Departament. Lá dentro ele é apresentado a seu parceiro, Roy, um oficial veterano (Bridges) que caça espíritos desde os anos 1800. A primeira missão importante de ambos envolve a morte de Cruz, que começa a descobrir diversos problemas relacionados à sua vida terrestre.

A escalação da dupla principal, no conceito, é interessante. Se há talento em Reynolds, ele está na veia cômica; Bridges, por outro lado, funciona em qualquer papel, desde que este seja escrito de maneira decente. Quando se unem a Mary-Louise Parker, a chefe do departamento, fica claro o desperdício do elenco, que atua de maneira convincente, mas profere diálogos risíveis. Nas cenas dentro do carro policial e as indiretas entre Roy e Proctor (Parker) é quando isso fica mais evidente.

Com boa parte do orçamento provavelmente destinada aos atores, não sobrou muito para a área de efeitos especiais. Ainda assim, não há um sopro de criatividade para suprir os limites impostos pela grana, pois os modelos dos seres 'diabólicos' não exploram sequer os traços grosseiros da HQ da Dark Horse - deformidades e protuberâncias no rosto são o mais distante do visual humano que eles vão. A inserção na mitologia proposta é vital para um filme com a proposta de R.I.P.D., e a credibilidade das criaturas seria parte essencial disso. O mesmo vale para o vilão canastra e sem carisma de Kevin Bacon.

Apesar da semelhança latente com M.I.B., R.I.P.D. tinha elementos suficiente para se diferenciar. No entanto, o desprezo pelo universo em que está inserido, o faz soar como a mais genérica das comédias policiais. Da comparação com a franquia de Barry Sonnenfeld, que não é exemplo de excelência mas cumpre o prometido, esta adaptação não vai além dos pontos entre as letras do título.

Nota do Crítico
Ruim