Filmes

Crítica

Red Joan

Abordagem novelesca da cinebiografia de Joan Stanley não tira o brilho da história da cientista

Natália Bridi
10.09.2018
16h19

A cinebiografia é um gênero que pode optar por diferentes abordagens e ainda ter boa parte do seu apelo garantido. O objetivo maior, afinal, é conhecer a história do biografado. Red Joan é um desses casos. Ainda que ganhe contornos novelescos no filme de Trevor Nunn, a vida de Joan Stanley é fascinante.

Nick Wall/Trademark/Divulgação

Judi Dench e Sophie Cookson encarnam a cientista britânica que foi descoberta como espiã da KGB já na casa dos 80 anos. Inicialmente as duas interpretações parecem distantes, mas aos poucos convergem na mesma direção. Dench desfaz a inocência esperada dos idosos (como se não tivessem vivido antes das rugas), enquanto o passar do tempo dá peso para a versão de Cookson. É uma dinâmica interessante frente às mudanças que a própria Joan Stanley passou em vida, de jovem romântica a espiã por uma causa.

Entre idas e vindas, o filme segue uma estrutura convencional. O foco nos romances da vida da cientista, com o Leo (Tom Hughes) e Max (Stephen Campbell Moore), é o que deixa Red Joan com cara de novela. Os dois relacionamentos definiram seu caminho, mas recebem mais atenção do que os questionamentos políticos e científicos de alguém que participou do grupo britânico de desenvolvimento da bomba atômica e compartilhou as informações com a KGB por julgar que o conhecimento impediria uma nova guerra mundial. Stanley foi uma mulher à frente do seu tempo, não por sua vida íntima, mas por sua forma de pensar e agir.

Com uma direção de arte e figurino cuidadosos, Red Joan é uma biografia idealizada que se firma graças às boas atuações de Dench e Cookson. Serve como introdução à vida de uma mulher que, não fosse a descoberta quase acidental dos segredos do seu passado, permaneceria incógnita. É uma história que precisa ser contada, não importa a forma.

Nota do Crítico
Bom