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Filmes
Crítica

Razão e Sensibilidade vislumbra uma Jane Austen mais rústica e selvagem

Georgia Oakley imprime estilo caloroso que vai na contramão de adaptações da autora

Omelete
3 min de leitura
29.10.2026, às 07H30.
Cena de Razão e Sensibilidade (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de Razão e Sensibilidade (Reprodução)

A figurinista Grace Snell (The Souvenir, Pillion) veste os personagens de Razão e Sensibilidade de maneira inteiramente distinta do que a maior parte do público relacionaria com um filme de época, ou a uma adaptação de Jane Austen. As obras da venerável escritora britânica normalmente chegam às telas paramentadas em vestidos luxuosamente detalhados e espartilhados, uniformes militares, chapéus extravagantes – marcas da alta sociedade da Inglaterra na virada do século XVIII para o século XIX, mas principalmente do imaginário midiático associado a ela.

No novo Razão e Sensibilidade, ao invés disso, a família Dashwood e aqueles ao seu redor se vestem com panos folgados, muitas vezes mal ajustados aos corpos, e frequentemente filmados enquanto se emaranham em lâminas de grama ou borrões de terra. E essas escolhas de figurino, eu diria, fazem parte de uma visão mais ampla capitaneada pela diretora Georgia Oakley (Blue Jean), que parece querer devolver vividez a Austen, relacionando-a com um passado mais rústico e selvagem do que necessariamente elegante.

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As duas irmãs Dashwood, Elinor (Daisy Edgar-Jones) e Marianne (Esmé Creed-Miles), são a dupla aludida no título – a primeira, sempre razoável e cautelosa; a segunda, romântica e dada a mudanças de humor. Após a morte prematura do pai, elas sentem a pressão para encontrar maridos que não só as façam felizes, como também deem condição de sobrevivência à família. Assim entra em cena o tímido Edward Ferrars (George MacKay), que se agracia com Elinor, mas pode ter um compromisso anterior. Já o retraído Coronel Brandon (Herbert Nordrum) e o intenso Willoughby (Frank Dillane) viram pretendentes de Marianne, embora tenham temperamentos totalmente opostos.

No roteiro da estreante Diana Reid, o conflito da obrigação monetária desses possíveis casamentos é suavizado sob o ponto de vista da comunidade gentil que as cerca. Apesar da mãe das meninas (Caitríona Balfe) precisar viver de favor após a fortuna do marido ir para o filho mais velho, fruto de um casamento anterior, o dilema de Razão e Sensibilidade é menos sobre sobrevivência, e mais sobre maneiras de enxergar o amor diante da necessidade que se apresenta. E aí o filme vira um jogo de personalidades, com um texto que absorve bem as caracterizações precisas de Austen e deixa os seus atores à vontade para brincar com elas.

No centro desse jogo estão Daisy Edgar-Jones e Esmé Creed-Miles, com duas personagens que representam desafios opostos. Elinor arrisca ser chata e entediante em sua retração; no espectro contrário, Marianne pode se tornar uma presença estridente. Edgar-Jones se sai melhor no seu ato de equilibrismo do que a colega, construindo uma personalidade internalizada sem fechar os seus processos para a câmera, nem torná-los tímidos demais. Elinor pode não estar se comunicando com ninguém, mas nós ouvimos tudo o que Edgar-Jones fala com o rosto, com o corpo e com o olhar.

O caso de Creed-Miles é mais complexo justamente porque sua Marianne tem os rompantes emocionais mais selvagens do filme, e aqueles que poderiam rimar melhor com a abordagem da direção… se a intérprete não tivesse ido tanto pelo caminho do melodrama. Este é um Razão e Sensibilidade que aposta na crueza, é verdade, mas também na simplicidade. A performance de Creed-Miles grita seriedade teatral dentro de um filme cuja dedicação ao naturalismo – no sentido de se aproximar da natureza, mesmo – é seu principal triunfo.

Nota do Crítico

Razão e Sensibilidade

Sense and Sensibility

Duração: 132 min
Direção: Georgia Oakley
Roteiro: Diana Reid
Elenco: Daisy Edgar-Jones, Caitriona Balfe, Frank Dillane, George MacKay, Esmé Creed-Miles
Onde assistir:

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