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Quem somos nós? | Crítica

Quem somos nós?

Fábio Yabu
17.11.2005
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h19
Atualizada em 21.09.2014 às 13h19

Quem somos nós?
What The Bleep do we Know?
EUA, 2005
Documentário - 108 min

Direção: Betsy Chasse, Mark Vicente, William Arntz

Elenco: Barry Newman, Elaine Hendrix, Marlee Matlin, Robert Bailey Jr.

Quem somos nós (What the Bleep do we know?!, EUA, 2004) é um filme de muitas facetas. O título em português, porém, acaba limitando seu conteúdo a uma única, mas primordial, pergunta.

O documentário reúne entrevistas com 14 pensadores - entre eles cientistas, químicos, físicos e teólogos - e traça paralelos entre as diferentes linhas de pensamento, tendo como ponto de partida e denominador comum a física quântica. O tema é intencionalmente exacerbado desde o início do filme, alinhando e homogeneizando as opiniões num único discurso, que, se não chega ao sonhado consenso entre religião e ciência, trata de dar um bom passo para levar a questão às massas.

Muitas das questões e metáforas do filme refletem o fascínio do ocidente pela filosofia oriental que influenciou a trilogia Matrix. O co-diretor, roteirista e produtor do filme, William Arntz, é budista desde a década de 80, e assim como os irmãos Wachowsky (no primeiro Matrix, principalmente) deixa sua filosofia transparecer durante toda a película. Sai Neo e entra a deficiente auditiva Amanda (Marlee Matlin, do elenco de apoio da série The West Wing). Ela é uma espécie de Alice (aquela do País das Maravilhas) num conto moderno, que mergulha no buraco do coelho e oferece possíveis respostas científicas a perguntas pertinentes a qualquer estudioso da ciência ou religião.

Não que estas respostas sejam fáceis e possam ser encontradas em um filme ou livro, quaisquer que sejam. Como o próprio filme fala em seus primeiros segundos, há um universo de possibilidades, e é sem dúvida saudável contrapor diferentes pontos de vista para que cada um consiga a sua própria resposta.

Jogando contra a interessante proposta do filme e sua conseqüente repercussão em salas de todo o mundo, trata-se obviamente de uma obra muito mais preocupada com o conteúdo do que a forma. Em outras palavras, como filme é um ótimo tratado de física quântica.

Com as expectativas ajustadas, fica mais fácil engolir a protagonista, cuja vida é usada para exemplificar os fatos apresentados pelos cientistas, ao preço da freqüente quebra de ritmo do filme e pelo menos um terço de cenas que poderiam ser cortadas. Paradoxalmente à intenção de unificar diversas linhas de pensamento, faltam algumas opiniões divergentes, cuja ausência torna o longa parecido demais com os livros de auto-ajuda. Tal fato prejudica gravemente sua apreciação por quem não gosta muito do gênero, e ao mesmo tempo ajuda a explicar o seu enorme sucesso em terras estadunidenses.

Nota do Crítico
Regular