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Protegendo o Inimigo | Crítica

Alexander Witt mostra mais uma vez, neste Dia de Treinamento cover, que é um dos melhores coordenadores de ação de Hollywood

Marcelo Hessel
17.10.2014
12h02
Atualizada em
29.06.2018
02h44
Atualizada em 29.06.2018 às 02h44

O nome de Alexander Witt é um selo de qualidade em Hollywood. É dele a direção de segunda unidade de filmes como Máquina Mortífera 3, A Identidade Bourne, 007 - Cassino Royale e Atração Perigosa - que têm em comum as cenas de ação bem coordenadas, filmadas de um jeito ágil mas sem atropelo, que prendem o espectador mas permitem que ele entenda o que está acontecendo em cena, uma raridade nesse gênero hoje em dia.

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Embora quem leve a fama aqui seja o diretor Daniel Espinosa, filho de um chileno com uma sueca, estreante em Hollywood, é Witt um dos principais responsáveis por fazer de Protegendo o Inimigo (Safe House) - um filme com personagens manjados e reviravoltas esperadas - uma boa sessão de ação.

A premissa lembra Dia de Treinamento, com Denzel Washington mais uma vez vivendo o tipo bem rodado, de fala mansa e arroubos de violência, que ensina algumas lições de hombridade para o jovem branquinho novato. Matt (Ryan Reynolds) é o "zelador" de uma casa secreta da CIA na África do Sul, para onde são levados prisioneiros perigosos. Matt espera há meses ser promovido para sair logo daquele buraco. Mal imagina ele que, quando chega para ser interrogado na casa o lendário Tobin Frost (Washington), ex-agente que virou traficante de armas e informações, sua rotina nunca mais será a mesma.

De formulaico, inicialmente, Protegendo o Inimigo tem a introdução dos personagens. Para deixar mais saliente a transformação pela qual Matt passa, sua ingenuidade é forçada no começo e fica inverossímil (quando os interrogadores usam waterboarding em Tobin, Matt pergunta se aquilo é legal, como se essa prática de tortura não fosse de conhecimento de todos). Depois, o relacionamento amoroso do novato é colocado em xeque, para Matt aprender, dentro da duração de um filme, como-é-duro-ser-um-agente-da-CIA-de-verdade.

Esse "aprendizado express" também existia em Dia de Treinamento, mas aquele filme tinha a grande sacada de manter a família de Ethan Hawke afastada; ele via a esposa no começo e no final do filme, apenas. Em Protegendo o Inimigo, os apuros amorosos são apenas uma das concessões melodramáticas que o roteiro faz - há outras, como a cena obrigatória do refúgio-na-casa-do-velho-amigo (de preferência um ex-parceiro bonachão que largou o crime e criou família, apenas para ser morto no fogo cruzado quando acolhe a visita do fugitivo).

O ritmo de Protegendo o Inimigo é acelerado o suficiente pra suprir essas situações-clichê. A fotografia saturada e a granulação, que parece aumentar o calor da África do Sul, combinam com o caos. Ryan Reynolds também merece um reconhecimento. Assim como Ethan Hawke, ele corre atrás e mantem o pique pra não ser engolido por Denzel Washington e consegue, nem que seja por um instante, apagar a imagem de galã asséptico e convencer como herói de ação.

Protegendo o Inimigo | Trailer
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Protegendo o Inimigo | Cinemas e horários

Protegendo o Inimigo
Safe House
Protegendo o Inimigo
Safe House

Ano: 2012

País: EUA

Classificação: 14 anos

Duração: 115 min

Direção: Daniel Espinosa

Roteiro: David Guggenheim

Elenco: Denzel Washington, Ryan Reynolds, Vera Farmiga, Joel Kinnaman, Brendan Gleeson, Sam Shepard, Nora Arnezeder, Liam Cunningham, Fares Fares, Jenna Dover, Stephen Rider, Daniel Fox, Tracie Thoms, Robert Patrick, Rubén Blades, Stephen Bishop, Tanit Phoenix

Nota do Crítico
Bom

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