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Crítica

Promessas de Guerra | Crítica

A primeira tentativa de Russell Crowe como diretor

Thiago Romariz
29.05.2015, às 11H50
ATUALIZADA EM 29.05.2015, ÀS 12H31
ATUALIZADA EM 29.05.2015, ÀS 12H31

Promessas de Guerra (The Water Diviner) é a primeira empreitada de Russell Crowe como diretor. Se por um lado a estreia não impressiona, ao menos não o desencoraja a seguir na função. É verdade que, por uma óbvia constatação, o ator se sai muito melhor como protagonista do que como seu comandante. Dessa forma, a tentativa escorrega mais por manter o tom pastel no viés político e romântico, e acaba por deixar sem identidade um momento da história que merecia mais julgamentos e menos concessões.

Crowe interpreta o australiano Joshua Connor, um furador de poços que tem os três filhos declarados mortos na Primeira Guerra Mundial, nos confrontos em Galípoli, na Turquia. Por falta de provas e pressão da esposa, ele viaja até o país em busca de provas do desaparecimento dos filhos. Nessa jornada, o roteiro mistura a aventura do pai a questões políticas envolvendo Reino Unido, França e Turquia; além de discutir o embate entre os valores culturais destas nações.

Da coloração fotográfica até os longos travellings, o cineasta estreante tenta transmitir a beleza dos desertos da Austrália de uma maneira quase publicitária. Tudo é laranja e o país vive em um pôr do Sol constante. O mesmo vale para a Turquia, onde o exibicionismo oriental é refletido de forma exótica e que por vezes se confunde com o caricato. Ainda assim, a beleza está lá, não é mal filmada, apenas apresentada de um jeito cafona - tal qual os diálogos românticos entre Crowe e Olga Kurilenko.

O melodrama da viagem de Connor é mal executado, mas compreensível, tanto na parte estética quanto no roteiro. A intenção de Crowe é retratar uma questão histórica com ares de epicidade, replicando o clima de outros filmes clássicos do gênero de guerra. No entanto, os tempos são outros. Um protagonista sem carisma e moldado pela falta de habilidades pouco se encaixa no papel de um herói. O australiano faz poucas amizades, não tem força ou habilidade para muitas coisas. A não ser pela busca dos filhos, não há por que se identificar com ele.

Nessa mesma toada está o tratamento que Promessas de Guerra dá aos conflitos entre Turquia e Inglaterra. Cada um reivindica seu motivo, não importa as consequências. E ao invés de incitar questões realmente interessante e tentar discutir um conflito que matou quase 200 mil pessoas, o filme prefere simbolizar a aliança entre os países com o amor de Connor e Ayshe (Kurilenko). A estreia de Crowe na direção é bonita, cheia de cores e frases de efeito, mas sem conteúdo. Faltou ambição.

Promessas de Guerra (2014)
The Water Diviner
Promessas de Guerra (2014)
The Water Diviner

Ano: 2014

País: Austrália

Classificação: LIVRE

Duração: 0 min

Direção: Russell Crowe

Elenco: Russell Crowe, Isabel Lucas, Jai Courtney, Olga Kurylenko

Nota do Crítico
Regular

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