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Power Rangers | Crítica

Heróis coloridos ressurgem no cinema à base do drama adolescente

Bruno Silva
20.03.2017
20h13
Atualizada em
29.06.2018
02h44
Atualizada em 29.06.2018 às 02h44

Na Hollywood dos super-heróis, acertar o tom de um filme de repente virou uma das maiores preocupações de um fã e a maior prioridade de um estúdio. É "sombrio e realista" para lá, "lúdico e cômico" para cá. É filme alcançando classificação para maiores de 18 anos em busca de um suposto respeito ao material original. Em sua nova versão para o cinema, Power Rangers faz dessa obsessão um exercício de excelência.

Afinal, é em "acertar o tom" que reside o maior desafio da nova adaptação, que propõe uma atualização para 2017 deste frankenstein criativo de cenas de luta japonesas e atores ocidentais sobre um grupo de heróis coloridos que, apesar da popularidade incontestável, sempre teve um quê de brega em sua essência. Muitos fãs queriam o caminho hiperviolento de filmes como Logan e o Batman de Christopher Nolan. Já outros preferiam a manutenção da essência juvenil mostrada na televisão.

O longa de Dean Israelite consegue unir um pouco de cada visão, mas não para sustentar um equilíbrio, e sim para contar uma história que, apesar de não parecer, também tem tudo a ver com os rangers: a de auto-descoberta e crescimento. Em busca da mesma explosão que catapultou ao cinema um gênero literário representado por Jogos Vorazes e Divergente, Power Rangers faz da adolescência o seu tema central e peça-chave para as cinco histórias de origem contadas em tela.

Em uma preocupação com o desenvolvimento de personagens vista raras vezes na franquia (e menos ainda nas primeiras temporadas da série), o filme reserva uma quantidade de tempo fora do comum para mostrar quem são Jason (Dacre Montgomery), Kimberly (Naomi Scott), Zack (Ludi Lin), Trini (Becky G) e Billy (RJ Cyler, rouba a cena).

Jogados à margem da vida escolar, cada um à sua maneira, os cinco se veem unidos na descoberta de um poder misterioso em uma mina de ouro, mas logo descobrem mais coisas em comum do que imaginam no desafio de vencer seus dramas pessoais.

Mas, no caminho, haja sofrência. Embora exista uma certa naturalidade para tratar temas como bullying, a perda de entes queridos e homossexualidade, também há uma boa dose de dramas escolares. Ao redor disso, o filme vai estabelecendo também a mitologia dos Rangers, subvertendo o que for necessário para fazer tudo caber dentro da narrativa e criando conexões rápidas e simples entre os demais fios da trama - a ligação entre Zordon (Bryan Cranston) e a vilã Rita Repulsa (Elizabeth Banks) aparece na primeira cena e é bem o que os fãs teorizam há tempos.

A tacada de mestre, entretanto, está no fato de os jovens precisarem criar vínculos reais de amizade para conseguirem, de fato, assumirem o título de Rangers. Antes de se transformarem em heróis, eles precisam abandonar a insegurança, o que une os dois "lados" do filme de forma simples e competente. De resto, as referências servem ou para o velho e bom fanservice, ou para preparar o terreno de uma continuação - a Lionsgate, braço financeiro do projeto, não esconde a vontade de ter um novo universo cinematográfico em suas mãos.

Em sua prioridade ao contar as histórias dos cinco Rangers e em estabelecer um universo, o filme acaba pecando no que mais chamava a atenção dentro da série original: as sequências de ação. Seja por decisão criativa, seja por economia no orçamento, fazem falta mais sequências de luta, em especial com o grupo de heróis vestindo seus trajes.

O que é mostrado, entretanto, consegue o incrível equilíbrio tão buscado quando se fala em "acertar o tom" de uma adaptação. Ainda que os efeitos especiais não sejam um primor, o filme acerta um bocado nas raras vezes em que os Rangers entram em ação, com coreografias espalhafatosas em seus uniformes berrantes. O mesmo não acontece com tanta eficácia nas lutas dos Zords, que por muito pouco não passam por uma versão genérica de Transformers.

Mesmo com estes tropeços, a missão dos Rangers (e da adaptação) tem êxito. Equilibrada entre duas visões radicalmente diferentes de um público que ansiava há tempos por uma releitura moderna da franquia, a equipe de heróis coloridos ressurge com uma sólida história de origem.

Power Rangers
Power Rangers
Power Rangers
Power Rangers

Ano: 2017

País: EUA

Classificação: 10 anos

Duração: 115 min

Direção: Dean Israelite

Roteiro: Ashley Miller, Zack Stentz

Elenco: Elizabeth Banks, Bryan Cranston, Naomi Scott, David Denman

Nota do Crítico
Ótimo

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