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Poder Paranormal | Crítica

Diretor de Enterrado Vivo agora faz o jogo do suspense de reviravolta

Marcelo Hessel
20.09.2012
19h00
Atualizada em
29.06.2018
02h44
Atualizada em 29.06.2018 às 02h44

O truque dos ilusionistas, diz Tom Buckley (Cillian Muprhy) em Poder Paranormal (Red Lights), é conduzir o olhar do espectador para longe do ponto onde ele está fazendo sua "mágica". Se o filme passa, desde o começo, a impressão de que o diretor espanhol Rodrigo Cortés está deixando pistas falsas para o público, depois desse diálogo a armação então fica mais do que evidente.

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Tom trabalha ao lado da professora de psicologia Margaret Matheson (Sigourney Weaver) desmascarando fenômenos paranormais e supostos psíquicos. Ela faz disso sua cruzada pessoal porque seu filho vive em estado vegetativo há anos, e Margaret não quer desligar os aparelhos até que encontre evidências do sobrenatural - indícios de que existiria vida além de um coma irreversível.

Quando o vidente cego mundialmente renomado Simon Silver (Robert De Niro) reaparece na mídia depois de 30 anos, Tom fica obcecado em desmascará-lo, mas Margaret proíbe o auxiliar de seguir adiante. Quais seriam as motivações da personagem? Simon tem mesmo poderes? Por que o filme se chama "luzes vermelhas"? São as perguntas que Poder Paranormal levanta para despistar a audiência enquanto aplica seu golpe (que obviamente não será entregue aqui).

Se em Enterrado Vivo, o primeiro longa hollywoodiano do diretor espanhol, o desafio era rodar um filme inteiro num espaço fechado, agora Cortés se propõe fazer o jogo - bastante popular, diga-se - dos suspenses de reviravolta. Em certo plano, a câmera avança lateralmente e mostra uma fileira de jornalistas atentos à ação, tomando notas. É a imagem-síntese da brincadeira de adivinhação, que pede mais atenção do espectador para o acúmulo de pequenas pistas do que para a narrativa em si.

Muita gente reclama da revelação final no desfecho de Poder Paranormal, mas ninguém pode dizer que foi enganado; Cortés já deixava claro no começo, naquele diálogo do ilusionista, a sua intenção lúdica. A questão é: Poder Paranormal tem algo a oferecer, a reter, depois que o truque é desvendado (em providenciais flashbacks explicativos)?

Tem, sim. A resposta de Cortés para os dilemas levantados no filme é apaziguadora, em sintonia com o pensamento liberal americano (cada um pode ter sua verdade, o que importa é a busca individual), mas sua recusa dos dogmas religiosos é frontal e não deixa de ser bem-vinda hoje em dia. Na verdade, Poder Paranormal é violentamente antidogmático; a cena em que Tom apanha no banheiro por ser questionador é tão forte que chega a destoar do resto, e isso num filme que tem na grandiloquência a sua principal ferramenta. O único dogma que Cortés não renega, no fim das contas, é a obrigatoriedade da reviravolta...

Poder Paranormal | Trailer legendado

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Nota do Crítico
Bom