Zoey Deutch e Glen Powell em O Plano Imperfeito

Créditos da imagem: O Plano Imperfeito/Netflix/Reprodução

Filmes

Crítica

O Plano Imperfeito

Com ares de O Diabo Veste Prada, longa derrapa na comédia, mas se destaca pelo carisma do elenco

Camila Sousa
30.07.2018
11h11
Atualizada em
01.08.2018
00h52
Atualizada em 01.08.2018 às 00h52

Quando O Diabo Veste Prada foi lançado em 2006, a grande discussão do filme era a relação de uma jovem profissional com um ambiente de trabalho difícil e uma chefe implacável. Muito disso é mostrado também em O Plano Imperfeito, novo filme da Netflix, que se perde um pouco no começo, mas termina com uma mensagem importante.

O longa segue as histórias de Harper (Zoey Deutch) e Charlie (Glen Powell), que trabalham para dois chefes completamente exigentes e - por que não definir assim - tóxicos. Isso faz com que os dois profissionais mais jovens não tenham vida pessoal ou tempo para cuidar de si mesmos. Tudo é dedicado ao trabalho na esperança de um dia ter uma promoção ou uma oportunidade maior dentro da empresa.

Apesar disso ser apresentado no filme de maneira exagerada, essa é uma realidade que muitos profissionais vivem no começo da carreira, e ver isso na tela gera uma empatia praticamente instantânea com o público. Um dia, Harper tem a ideia de fazer com que Kirsten (Lucy Liu) e Rick (Taye Diggs) sejam um casal, afinal, se os dois começarem a pensar mais na vida pessoal e menos no trabalho, eles vão exigir menos de seus assistentes.

Mas essa premissa divertida começa a se desenvolver de forma eficaz somente a partir do segundo ato, o que torna a primeira parte da trama deslocada do resto. O roteiro de Katie Silberman dedica muito tempo para estabelecer os personagens e suas rotinas, mas tudo isso já estava bem claro nos primeiros 15 minutos de filme. O resultado é uma introdução lenta, que desanima o espectador. 

Felizmente, O Plano Imperfeito ganha muito com o carisma de seus protagonistas. Harper é uma jovem fofa, atrapalhada e com medo de fracassar. Já Charlie é um rapaz que sabe do potencial que tem, mas mesmo assim é inseguro ao ponto de deixar sua vida ser controlada por relacionamentos tóxicos - no trabalho e no amor. Essas “falhas” são representadas por Deutch e Powell de um jeito muito humano, o que os torna próximos do público. Não é raro sentir vontade de entrar na tela para aconselhar ou abraçar os dois.

Porém, até com certa ironia em relação ao título nacional, O Plano Imperfeito realmente ganha forma no terceiro ato, quando fala sobre as imperfeições da vida e o quanto é importante aceitá-las: você não precisa ser 100% incrível no trabalho o tempo todo; você não precisa continuar um relacionamento falido só por que parece perfeito ao olhos dos outros; você não precisa ter medo de começar algo porque acha que vai falhar; você nem sempre vai tomar a decisão certa de primeira, e está tudo bem. Colocar essas discussões em uma comédia romântica é desafiador, e o próprio longa sofre um pouco até amadurecer esses conceitos, mas o resultado é um filme que diverte, sem precisar ser vazio.

Nota do Crítico
Bom