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Pets - A Vida Secreta dos Bichos | Crítica

Animação despretensiosa foca nas crianças e pode entediar adultos

Natália Bridi
25.08.2016
17h12

Dentre os principais estúdios modernos de animação, Ghibli e Pixar estabeleceram uma marca difícil de ser alcançada: criar obras de arte capazes de encantar adultos e divertir crianças. Pioneira, a Disney passou por altos e baixos (entenda) até retornar a esse padrão de qualidade com a contratação de John Lasseter. Laika e Aardman continuam uma bela luta pelo stop motion na era da computação gráfica em títulos que não têm o alcance que merecem, enquanto a DreamWorks Animation foca no potencial cômico das suas franquias, explorando até a última gota títulos como Shrek, Madagascar e Kung Fu Panda.

Na mesma linha da DreamWorks, a novata Illumination Entertainment fez sua fama em 2010 com Meu Malvado Favorito, a animação que revelou ao mundo os Minions, rendeu duas continuações, uma 2013 e a outra com lançamento previsto para 2017, e um filme derivado em 2015 (estrelado pelos ajudantes amarelos). Focado na diversão das crianças, o estúdio também lançou os sucessos Hop: Rebeldes sem Páscoa (2011) e O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida (2012) e agora segue com êxito ainda maior em Pets - A Vida Secreta dos Bichos, animação que já figura entre as maiores bilheterias de 2016.

A comparação da Illumination com outros estúdios serve para deixar claro o tipo de animação produzido por cada um. Pets não tem a mesma qualidade técnica e narrativa dos títulos lançados esse ano pela Disney (Zootopia) e Pixar (Procurando Dory), por exemplo, mas esse não é o objetivo. Desde a primeira aparição do cachorrinho Max fica claro que o longa de Yarrow Cheney e Chris Renaud quer é apelar para o coração dos pais e a risada fácil das crianças.

Momentos fofos e de humor físico acompanham uma trama simples, claramente inspirada em Toy Story. Longe dos humanos, os animais têm vidas sociais complexas e quando o gigantesco Duque surge para disputar território com Max, a confusão os leva para longe de casa. Deixando o conforto reservado aos animais domésticos, os dois encontram uma gangue de bichinhos abandonados e revoltados, liderados por um coelho perturbado. É quando a animação segue em uma tentativa surreal/surtada, buscando a fórmula que faz a fama de séries como Hora de Aventura e Titio Avô.

As crianças devem adorar cada minuto, saindo do cinema prontas para comprar as mais variadas formas de merchandising. Já o adulto menos suscetível aos encantos de gatos, cachorros e outros animais pode ficar facilmente entediado. As piadas e o visual são comuns e qualquer diferencial trazido pelas vozes de nomes como Louis C.K. (Max), Eric Stonestreet (Duque) e Kevin Hart (Bola de Neve), perdeu-se na tradução brasileira. A dublagem de Danton Mello (Max), Tatá Werneck (Gigi), Tiago Abravanel (Duque) e Luís Miranda (Bola de Neve) é competente, mas em nenhum momento torna o filme algo especial.

O mérito de Pets - A Vida Secreta dos Bichos está em ser exatamente aquilo que se propõe: uma animação para entreter crianças. O critério de avaliação não pode passar dessa noção. Existe uma mensagem básica de amor pelos animais, mas o foco está mesmo em provocar risadas com as ações das suas figuras fofas. E, tratando-se de um filme da Illumination Entertainment, já é possível esperar as continuações e, quem sabe, até um derivado/prelúdio sobre o coelho que foi abandonado pelo dono mágico.

Nota do Crítico
Bom