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Passion | Crítica

Cadê o Brian De Palma que estava aqui?

Érico Borgo
22.10.2014, às 01H33
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H37
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H37

Passion, novo filme de Brian De Palma, remake em inglês do francês Crime de Amor, de Alain Corneau, era aguardado como um retorno do cineasta aos temas que o consagraram em suas primeiras décadas de carreira. No entanto, é um tratado de cafonice.

No thriller erótico, uma poderosa executiva do mercado publicitário (Rachel McAdams) sente-se ameaçada por uma subordinada promissora (Noomi Rapace). Ao roubar os créditos da talentosa integrante de sua equipe, em um jogo perverso de dominação, a mulher acaba iniciando uma sequência de eventos que culminarão em um assassinato.

Passion Brian De Palma

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O elenco inteiro está exagerado ao extremo. Teatral em alguns momentos, berrando seus diálogos, e novelesco a seguir, fazendo caras e bocas. A intenção do diretor é incompreensível. Estaria ele emulando o cinema noir que lhe era tão natural e dando ao gênero pitadas de novela mexicana, em uma espécie de auto-paródia? Ou ele simplesmente não orientou seus atores direito? Parece improvável que, mesmo que De Palma tenha optado por deixar o elenco solto, gente do calibre de McAdams e Rapace descesse tão baixo.

Até na câmera o filme é equivocado. Duro de assistir. Close-ups ágeis nas caretas, cenas em primeira pessoa estranhas, rompimentos de quarta-parede e pans frenéticos são acompanhados da terrível (terrível!!!) trilha do italiano Pino Donaggio.

O filme fica pior a cada minuto, com a mão do cineasta pesando ainda mais no final - e quando você acha que chegou ao fundo do poço, ele vai um pouquinho além, com um clímax de reviravoltas forçadíssimas, com direito até o clichê do "tudo foi um sonho" e a frase "teria sido o crime perfeito não fossem..." (impossível não completar mentalmente com "esses garotos intrometidos"). E o tal do crime perfeito talvez funcionasse na década de 1930. A polícia alemã em Passion parece o CSI Nova Iguaçu. Não checam evidências, não analisam o básico que qualquer pessoa que já viu dois filmes de crime na vida se preocuparia em ver.

Roteiro furado, mal realizado e pessimamente atuado... normalmente filmes assim são vaiados em festivais. Com Passion, uma reação comum são as gargalhadas, algo muito mais doloroso, especialmente quando trata-se de um nome como o de Brian De Palma.

Passion
Passion
Passion
Passion

Ano: 2012

País: França / Alemanha

Classificação: 18 anos

Duração: 101 min

Nota do Crítico
Ruim

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