Parque do Inferno

Créditos da imagem: Parque do Inferno/CBS Films/Youtube/Reprodução

Filmes

Crítica

Parque do Inferno

Mesmo com boa direção, filme entrega terror morno e personagens irritantes em slasher mediano

Arthur Eloi
21.11.2018
19h55
Atualizada em
23.11.2018
16h30
Atualizada em 23.11.2018 às 16h30

Ainda que exista um certo estigma pelo tom sombrio, boa parte do gênero de terror com apelo mais comercial é pensado com um objetivo: divertir. Não é à toa que os filmes têm uma relação amorosa com parques de diversão, usando-os nas telas e, em contrapartida, inspirando vários eventos reais ao redor do mundo, como o Halloween Horror Nights ou a Hora do Horror. Parque do Inferno, novo longa de Gregory Plotkin (Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma), é mais um exemplo dessa mistura - mesmo que não seja dos mais brilhantes.

Na trama, um grupo de amigos se reúne para visitar o Hell Fest, popular feira anual de horror que testa os limites dos visitantes, tornando-se mais intensa a cada nova área explorada. Pelos vários labirintos macabros e monstros nas ruas do parque, um serial killer vê a oportunidade perfeita para assassinar vítimas indefesas sem chamar a atenção de ninguém. É um conceito com potencial, mas que nunca se concretiza.

Os personagens, por exemplo, são dos mais irritantes por conta de diálogos mal escritos e atuações medíocres. Fica claro que a intenção é resgatar os estereótipos clássicos dos slasher, como a protagonista tímida, a garota rebelde, a amiga descolada etc. A introvertida Natalie (Amy Forsyth), por exemplo, tem uma relação de vai-não-vai com Gavin (Roby Attal) - o que se traduz em inúmeras cenas dos dois trocando meias-conversas vergonhosas. É uma forma de ressaltar a tensão romântica entre duas pessoas sem tato social, claro, mas uma que se repete à exaustão e não leva a lugar algum. Taylor, menina extrovertida e caótica interpretada por Bex Taylor-Klaus (Scream), é mais um exemplo dessa escrita ruim: praticamente toda fala da personagem são tiradas de sarro forçadas e fora de hora.

Honestamente isso não seria um problema por si só. Slashers, como Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, não são conhecidos por seus profundos e memoráveis personagens, mas sim pela brutalidade criativa e por vilões impiedosos que acabam com os jovens irritantes. Parque do Inferno não tem nada disso. As poucas mortes que o filme apresenta não trazem tensão alguma ou sequer acertam na sanguinolência - salvo uma marretada na cabeça e uma seringa perfurando um olho em detalhe, ambas com belo uso de efeitos práticos. Já as demais cenas de violência são fracas.

O assassino também não ajuda. Além do visual tedioso - um agasalho de capuz e máscara teatral -, a forma de perseguição do antagonista é simplesmente seguir o grupo principal pelo parque. Sem esconder-se, sem aparições mirabolantes ou provas da sua brutalidade, apenas seguí-los, isolá-los do restante e eliminá-los. É um filme que realmente testa quantas vezes consegue colocar o vilão no mesmo ambiente que os protagonistas sem resultar em nada. Há duas agradáveis reviravoltas quanto a identidade do serial killer, mas essas não são o suficiente para criar uma imagem memorável.

Enquanto praticamente todo aspecto de Parque do Inferno é meia-boca, o longa realmente se destaca no visual. Plotkin conduz as filmagens com os recursos que cada cena pede, sejam planos fechados e frenéticos, composições que destacam o misterioso assassino ou apenas divertidos quadros que usam ao máximo neon colorido. Esse carinho na filmagem cria momentos esteticamente marcantes, como quando Natalie fica presa em uma atração defeituosa, sendo confrontada pelo vilão sob as pulsantes luzes vermelhas de emergência.

É essa boa condução que torna algo morno em assistível e até aproveitável. Parque do Inferno não parece mirar em revolucionar o gênero ou impactar o terror, e sim entregar um slasher honesto. Mesmo assim a sensação que fica é de algo raso e sem sal, em que o estilo vale mais do que o conteúdo. No fim das contas, apesar dos personagens irritantes e dos sustos previsíveis, é um filme divertido o suficiente para manter o espectador entretido por seus curtos 90 minutos - mas que não deixa a sala de cinema com o público.

Nota do Crítico
Regular