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Crítica

ParaNorman | Crítica

Amor pela arte e pelos zumbis

Érico Borgo
06.09.2012, às 20H00
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H44
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H44

Hoje em dia, na competitiva indústria do entretenimento, não existe explicação para o uso da animação stop-motion, a mais artesanal das técnicas do cinema, do que o amor pela arte. O processo, que requer a construção de personagens e cenários em várias escalas a fim de serem manipulados quadro a quadro por animadores e fotografados em sincronia, exige uma dedicação que permanece viva apenas em pouquíssimos estúdios.

Paranorman filme

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A Laika, produtora de Coraline e o Mundo Secreto e agora deste ParaNorman, mais uma vez mostra que é - ao lado da Aardman - a empresa a se prestar atenção quando o assunto é esta técnica cada vez menos apreciada (as bilheterias provam que em tempos de computação gráfica e alta tecnologia o manual e analógico perderam muito espaço). Ainda que o novo filme não tenha o esmero do anterior - que contou com o atual grande mestre dessa arte, Henry Selick na direção - Paranorman esbanja o tal amor citado acima. Mas não apenas pelo stop-motion... a animação é também uma ode aos mortos-vivos e lida com um problema atual: quando os perseguidos viram os bullies.

Na trama, escrita por Chris Butler, o menino Norman enfrenta todos os dias o desprezo dos colegas na escola e de sua própria família. Ele cometeu a besteira de revelar-se capaz de falar com os mortos - e todos agora sabem e caçoam disso, acreditando que Norman quer apenas aparecer. Acontece que o garoto realmente é capaz de conversar com as almas que não deixaram o nosso plano ainda e cai sobre seus ombros a missão de impedir que uma maldição lançada por uma bruxa queimada na cidade séculos atrás se concretize: que zumbis caminhem sobre a terra.

Como todo bom filme de morto-vivo, Paranorman esbanja da crítica social. Histeria de massa, valentões, comunicação entre pais e filhos, responsabilidade, tudo isso é explorado na trama, mas sem parecer pregação. A diversão é o ponto principal do filme dirigido por Butler e Sam Fell (O Corajoso Ratinho DespereauxPor Água Abaixo), que faz uma grande homenagem ao gênero e a George A. Romero, seu "pai" (a abertura é maravilhosa!). Paranorman consegue ainda surpreender com reviravoltas inteligentes, piadas bem colocadas e até algum suspense de verdade... algo curioso, já que se trata de um filme primariamente criado para crianças.  Esse é justamente o problema do filme, como Coraline: incutir medo nos pequenos. Há poucos sustos, mas as situações são de um suspense verdadeiro em vários momentos, apesar do visual caricato e fofinho dos personagens, que contrasta com os cenários, mais realistas. A fotografia arrojada, com movimentos de câmera e mudanças de foco que evidenciam a fisicalidade da técnica empregada e o 3D (que é bastante sutil), também ajuda nesse afastamento do público-alvo.

Paranorman acaba uma mistura de Tim Burton com Neil Gaiman (em suas obras de literatura infanto-juvenil) e Romero. Funciona muito bem para os fãs do trio, mas não tem o humor e a abrangência de filmes feitos com a família como objetivo. A realidade desses bonequinhos exagerados, apesar do contexto fantástico, é dura e chega a incomodar de tão verdadeira. O fato de tocar uma versão do country bluegrass "Little Ghost", do White Stripes, ao final é só mais um indício de que o filme vê as crianças com um olhar pouco usual nesse mercado descartável, de obviedades atrás do lucro fácil.

Paranorman | Cinemas e horários
Leia mais sobre ParaNorman

ParaNorman
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ParaNorman
ParaNorman

Ano: 2012

País: EUA

Classificação: 10 anos

Duração: 93 min

Direção: Sam Fell, Chris Butler

Elenco: Anna Kendrick, John Goodman, Leslie Mann, Casey Affleck, Jodelle Ferland, Christopher Mintz-Plasse, Kodi Smit-McPhee, Bernard Hill, Tucker Albrizzi, Alicia Lagano, Jeremy Shada, Scott Menville, Ariel Winter, Alex Borstein, Tempestt Bledsoe, Denise Faye, Elaine Stritch

Nota do Crítico
Ótimo

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