Cena do documentário Para Sempre Chape

Créditos da imagem: Para Sempre Chape/Trailer Films/Divulgação

Filmes

Crítica

Para Sempre Chape

Documentário derrapa na montagem, mas faz uma homenagem bonita ao clube e ao futebol

Camila Sousa
09.08.2018
13h28
Atualizada em
09.08.2018
13h46
Atualizada em 09.08.2018 às 13h46

Relembrar o acidente com a equipe da Chapecoense, que aconteceu em novembro de 2016 e matou mais de 70 pessoas, é doloroso para qualquer pessoa, seja ela fã ou não de futebol. Exatamente por isso o documentário Para Sempre Chape, escrito e dirigido por Luis Ara, tinha a difícil tarefa de conseguir falar sobre esse tema sem pesar a mão na emoção e respeitando os familiares e amigos das vítimas. Felizmente a produção faz isso de modo competente, apesar de escorregar em alguns momentos.

Para quem só conheceu o clube recentemente, o longa faz um trabalho importante de contar a história da Chapecoense e mostrar como ela se mescla com a própria história da cidade de Chapecó. Utilizando várias imagens cedidas pelo clube, o longa ressalta uma das características que faz o time ser tão querido: sua origem pequena e ascensão rápida para a série A do Campeonato Brasileiro.

O documentário acerta bastante na escolha dos materiais de arquivo: tudo ressalta a paixão dos torcedores pela Chape e como os jogadores retribuíram isso, fosse conversando com as pessoas na rua, ou visitando lares de idosos, por exemplo. Os entrevistados escolhidos - que vão desde o presidente do clube, Plínio Filho, até os jogadores sobreviventes do acidente - entregam ao público informações valiosas de bastidores e mostram como o clube é importante em suas vidas. No caso dos atletas, um dos grandes trunfos do filme é conseguir mostrá-los de forma mais descontraída. Para os acostumados com as entrevistas duras e travadas entre os jogos, é bom ver os jogadores falando sobre seus anseios e dúvidas sem pressa ou medo.

Para Sempre Chape erra ao pontuar certas datas com letreiros na tela. Essa é uma prática comum, principalmente nos documentários, mas o problema aqui é que essas informações são mostradas depois dos depoimentos que falam do assunto em questão, e não antes. Com essa montagem, a impressão que fica é que o editor não sabia muito bem onde encaixar as frases, que ficam deslocadas e fora de contexto. Essa é a mesma impressão causada quando o documentário tenta “reconstituir” momentos reais. Há, por exemplo, a cena de uma cabine de avião com as luzes se apagando, que remete ao momento do acidente na Colômbia. Além de ser uma cena desnecessária em termos narrativos, porque não acrescenta nada, ela pode ser forte demais para quem tem relação com as vítimas ou é sensível ao tema.

Felizmente esses momentos são rápidos e não atrapalham o objetivo do documentário, que é representar a força e o significado que o futebol tem para uma sociedade. Ao relatar como a Chapecoense conseguiu, primeiro, superar as dificuldades de ser um clube pequeno, e depois, se reconstruir após um acidente tão grave, Para Sempre Chape faz com que o público tenha ainda mais empatia pelo clube, algo que ultrapassa as quatro linhas e se traduz em pura admiração. Se ver seu time ser campeão já é motivo de orgulho, ver a superação da Chapecoense é totalmente inspirador.

Nota do Crítico
Ótimo