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Crítica

Papillon | Crítica

Longa deixa de arriscar e acaba apenas como um filme pipoca atualizado

Natália Bridi
10.09.2017
17h00
Atualizada em
12.09.2017
11h09
Atualizada em 12.09.2017 às 11h09

Nos 11 anos que esteve preso, Henri Carrière nunca passou um dia sem pensar em escapar. A narrativa das suas muitas tentativas, e o seu eventual sucesso, se tornou célebre na França depois da sua publicação de Papillon e ganhou Hollywood no filme de 1973 estrelado por Steve McQueen e Dustin Hoffman. Agora, o diretor Michael Noer e o roteirista Aaron Guzikowski buscam recontar essa história em toda a sua glória, e também dor.

Com esse objetivo em mente fica difícil entender a decisão fazer isso mais uma vez pelos olhos de Hollywood. No lugar de McQueen, o francês Carriène é interpretado agora por Charlie Hunnam, enquanto o papel do seu parceiro igualmente francês Louis Dega troca Hoffman por Rami Malek. Toda ideia de legitimidade buscada pela nova versão se perde com o inglês americano que sai da boca de todos os personagens.

Uma falha que também se vê está na degradação dentro das terríveis prisões da Guiana Francesa. É um sofrimento que aparece entre cenas, mas não se acumula ao longo dos dez anos que abrigam a história. Quando ganha a suas marcas, o já caricato personagem de Malek está fantasiado, não destruído por aquela vida.

Hunnam e Malek, contudo, têm uma boa sintonia em cena. A amizade que constroem por sobrevivência garante o tom aventuresco que faz do filme um bom entretenimento, ainda que se estenda mais do que o necessário. Noer capta bem a desolação de Carrière na solitária, o desespero de estar na escuridão e a alegria simples de ganhar a metade de um coco quando não se tem nada. Em contraste, mostra o alcance da liberdade com paisagens que tomam a tela. É uma relação que garante a torcida pela fuga dos prisioneiros, não importa quantas tentativas sejam necessárias.

Um filme pipoca atualizado, o novo Papillon poderia ter investido na verdadeira história de Charrière, o que incluiria questioná-lo, já que supostamente grande parte das suas histórias foi “roubada” de outros prisioneiros. Ao optar pela versão romântica, seu erro é tentar ainda assim comprovar o “baseado em uma história real” do início. É uma indecisão que deixa o longa no meio do caminho, sem liberdade para se tornar memorável. 

Nota do Crítico
Bom