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Crítica

Paper Tiger | Ótimo filme com Adam Driver faz grande suspense de crime

Também estrelado por Miles Teller, longa é dirigido por James Gray e produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira

Omelete
5 min de leitura
16.05.2026, às 18H54.
Paper Tiger

Créditos da imagem: RT Features/NEON

Retornando à combinação de cinema de gênero e drama familiar que aspira a comentários sobre os fundamentos da sociedade estadunidense, James Gray faz grande trabalho em Paper Tiger. Quase uma continuação espiritual de Os Donos da Noite – ou, já que a história se passa em 1986, um prequel – seu novo filme é novamente centrado em irmãos que se encontram envolvidos em conspirações criminosas. A diferença é que, dessa vez, eles literalmente pediram para se aproximar das figuras que agora os perseguem. 

A dupla protagonista é formada por Irwin e Gary Pearl (Miles Teller e Adam Driver, imediatamente convincentes na relação fraternal) e seu encontro com os mafiosos russos que rapidamente se tornam sua maior preocupação, que começa não como uma ameaça, mas sim como uma oportunidade. Um engenheiro de algum sucesso, Irwin recebe a visita inesperada de Gary, que chega trazendo um delicioso jantar (que ele conseguiu que o próprio restaurante entregasse) e uma proposta. Ex-policial que se manteve longe da sujeira durante seu tempo na força, Gary conseguiu uma boa renda construindo um serviço de segurança que ele oferece para os contatos que fez enquanto estava na ativa. Isso significa aeroportos, empresas e, quem sabe agora, os novos imigrantes de uma Rússia que até poucos anos antes integrava a União Soviética.

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Os russos, ele explica a Irwin, querem limpar e desenvolver a área mais poluída de Nova York: um trecho à beira canal onde a água está contaminada especialmente por óleo. Eles precisam de ajuda para deixar tudo ali de acordo com as regulamentações dos EUA, e de alguma garantia de segurança. O estudioso Irwin pode cuidar do lado da engenharia, e o desenrolado Gary sabe com quem falar para que tudo proceda de acordo com o plano. Parece a chance de uma vida para os dois, que recebem US$10 mil só por uma noite de consultoria. É, como dizem, o sonho americano. Este sonho, porém, vira um pesadelo quando Irwin faz uma visita improvisada ao local – junto com seus filhos – e vê algo que não devia.

Paper Tiger
RT Features/NEON

Daí em diante, Paper Tiger se torna um dos mais tensos suspenses de crime em algum tempo, um mérito que o filme conquista primariamente através da qualidade da caracterização de seus personagens principais. Casado com Hester (Scarlett Johansson, se esforçando junto com o roteiro de Gray para salvar uma personagem monotom), o Irwin de Teller se veste, fala e move como o típico paizão americano. Há uma decência na maneira com a qual o ator expressa seus maneirismos e falas, mas por baixo da superfície, há também uma insegurança. Orgulhoso dos filhos, seguro em seu emprego e feliz no subúrbio, porém, ele ainda demonstra algum desconforto quando Gary aparece.

Seu irmão está sempre bem vestido, dirige uma linda Mercedes e é saudado em todo bar, restaurante e clube onde entra. Em uma das melhores atuações de sua carreira, Driver escancara no rosto de Gary, em doses igualmente claras, seu charme e seus defeitos. Ele tem um código de honra claro e carisma infinito, mas também se deixa levar pela própria empolgação e nem sempre leva em conta os riscos que aquilo pode levantar. É Irwin quem coloca os russos contra os Pearls, mas foi Gary quem abriu a porta para que eles entrassem. Felizmente, ele se mostra – ou ao menos se diz – capaz de fechá-la.

É por isso – por Irwin ser tão dedicado mas vulnerável, e por Gary ser tão eficaz em nos convencer de sua habilidade – que a tensão gerada por Gray em Paper Tiger funciona tão bem. Somos efetivamente convencidos do risco que a situação representa para Irwin e sua família (a cena em que ele revela para Hester o tamanho do problema é de partir o coração) e de que a única esperança para um retorno à normalidade reside em Gary.

Paper Tiger
RT Features/NEON

Com este terreno pronto, James Gray parte para uma série de encenações excelentes dos tipos de momentos que você espera ver neste filme. Tanto Irwin quanto Gary têm pelo menos um encontro armado com os russos – interpretados por uma série de atores cujos rostos transmitem perigo imediato – que, graças à paciência e controle com a qual o diretor desenvolve suas cenas, vai acelerar corações e prender respirações em qualquer sala de cinema. Consequentemente, o risco elevado da trama justifica as reações cada vez mais fortes que Irwin e Gary passam a ter, tanto contra seus adversários quanto um contra o outro.

A forma como eles são estabelecidos como personagens não beneficia os Pearls apenas como indivíduos, mas como um par. O relacionamento deles é tão claro quanto suas personalidades, e todas as sementes plantadas por Gray no começo do filme serão colhidas até o fim de Paper Tiger, tipicamente de forma dolorosa. O mesmo, porém, não se pode dizer de Hester. Longe de ser o melhor escritor de mulheres, James Gray faz um esforço visível para impedir que a personagem de Johansson seja reduzida ao papel de “a esposa preocupada”, e a atriz parece reconhecer isso e responder com um cuidado semelhante. É uma empreitada que salva Hester de ser uma coadjuvante esquecível, mas que tampouco encontra um lugar relevante para ela em meio ao vai-e-vem dos homens ao seu redor. Hester tem dilemas pessoais, mas se com Gary e Irwin há uma conexão temática clara com o cinema de gângster e suas ideias, o mesmo não pode ser dito sobre ela.

Ainda assim, Paper Tiger estabelece sua atmosfera tão bem que é difícil não ser constantemente sugado pelo filme. Pouco a pouco, James Gray nos faz sentir tão encurralados quanto estes personagens. Porque seus mocinhos são genuinamente dignos de nossa simpatia, seus mafiosos são genuinamente assustadores. Quando foi a última vez que isso foi o caso? Após anos de anti-heróis criminosos no cinema e na televisão, este, sim, é um feito digno de reconhecimento.

Crítica escrita em 16 de maio no Festival de Cannes. Produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira através da RT Features, Paper Tiger estreia em breve no Brasil com distribuição da Diamond Films.

Nota do Crítico

Paper Tiger

Paper Tiger

2026
114 min
País: EUA
Direção: James Gray
Roteiro: James Gray
Elenco: Adam Driver, Miles Teller, Scarlett Johansson
Onde assistir:
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