Embora criativo, Pânico 7 dá claros sinais de desgaste da franquia
Sequência entra no universo das deep fakes para injetar fôlego na nostalgia
Uma franquia como Pânico, já em seu sétimo capítulo nas telonas, precisa se reinventar o tempo todo para se manter relevante. Foi assim com Pânico 4, lançado mais de 10 anos depois do anterior, e com o quinto filme, cuja estreia ocorreu com uma década de distância e introduziu novos personagens em um soft reboot que jogava com o legado do original. Entre brincadeiras de metalinguagem e regras dos slashers, a série do assassino Ghostface sempre encontrou motivações e comentários sobre o gênero para se inovar. Com Pânico 7 não foi diferente, mas o desgaste dos mais de 30 anos de história começam a ficar escancarados.
Com as saídas de Melissa Barrera e Jenna Ortega, protagonistas da nova geração, durante a turbulenta produção do longa, o retorno de Neve Campbell como Sidney Prescott, a scream queen original de Pânico, era a maior jogada possível. Ausente do sexto filme por questões salariais, a atriz volta a ser o centro da obsessão de Ghostface em Pânico 7 com uma conexão que, embora baseada totalmente na nostalgia - força motora da franquia -, merece crédito pela criatividade.
Em tempos de deep fake, é curioso que Pânico ainda não havia se aventurado por esse mundo para ganhar fôlego. Se o legado de sangue já está batido (filha de Billy Loomis, sobrinhos de Randy Meeks), o poder da tecnologia foi a forma encontrada por Kevin Williamson, criador da saga e estreante como diretor na franquia, para trazer de volta antigos vilões. Quando um novo Ghostface começa a aterrorizar a família de Sidney, um vídeo possivelmente gravado com IA coloca Stu Macher (Matthew Lillard), um dos assassinos do primeiro filme, como principal suspeito.
Em comparação com os anteriores, Pânico 7 brinca menos com a metalinguagem e regras do gênero. Elas ainda estão ali para explicar que o que era novo antes já está batido agora ou para quebrar as expectativas dos suspeitos da vez, todos banhados em clichês (o namorado devoto, o amigo esquisito e fã de filmes de terror) para despistar o espectador. Entre as autorreferências se destacam mais as piadas com a ausência de Sidney dos ataques do Ghostface de Nova York, em Pânico 6, do que qualquer outra. Até mesmo os retornos de Mindy (Jasmin Savoy Brown) e Chad (Mason Gooding) ganham contornos cômicos apenas para enfatizar a ironia do desgaste do gênero.
Embora a criatividade para continuar explorando o legado de Ghostface mereça méritos, o novo filme quase coloca tudo a perder com sua resolução. Sem muitos caminhos para surpreender quando todas as possibilidades para um assassino de slasher já foram usadas e reutilizadas, Pânico 7 conta com o pior final de toda a franquia. Motivações esdrúxulas e revelações ainda piores evidenciam que a saga entrou no tortuoso caminho do enfraquecimento - que pode ser fatal.
Mesmo com seu maior tropeço até aqui, Pânico 7 ainda não é a pá de cal que enterrará a história do Ghostface de vez, ainda mais com um caminho pré-estabelecido para que Tatum (Isabel May), filha de Sidney, continue o legado. Mas com 30 anos de história - e dois reboots nesse meio tempo -, talvez seja melhor deixar o assassino descansar a sua máscara por mais algum tempo
Pânico 7
Scream 7