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O Quarteto | Crítica

Aos 75 anos, Dustin Hoffman estreia na direção em filme sobre perspectivas na velhice

Natália Bridi
20.10.2014, às 12H30

Em 1978, Dustin Hoffman já atuara em A Primeira Noite de um Homem, Perdidos na Noite e Todos os Homens do Presidente. Julgava-se pronto, aos 41 anos, para fazer sua estreia na direção. Selecionou o elenco, assumiu o papel principal, e começou a rodar Liberdade Condicional. Sem conseguir administrar os dois encargos, porém, abandonou o posto atrás das câmeras, colocando o amigo Ulu Grosbard no seu lugar. O tempo passou, vieram os Oscars (um por Kramer vs. Kramer e outro por Rain Man), mas o arrependimento pela desistência persistiu - "Deveria ter insistido porque provavelmente teria continuado a dirigir”.

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O Quarteto é então seu ato de redenção. Na adaptação da peça de Ronald Harwood (roteirizada pelo mesmo) sobre um grupo de músicos eruditos aposentados, Hoffman (que desta vez decidiu apenas dirigir) encontrou o projeto perfeito para a tão adiada estreia. Uma escolha que casa com a própria história do ator, hoje com 75 anos, e seu "fracasso" em Liberdade Condicional. Seus personagens refletem sobre erros do passado e buscam motivação para continuar com suas vidas, apesar da idade.

A trama segue o mote da união que supera obstáculos, com o quarteto lírico do título (Tom Courtenay, Billy Connolly, Pauline Collins e Maggie Smith) sendo forçado a se reunir em uma apresentação para arrecadar fundos e salvar a luxuosa casa de repouso onde vivem. Como obstáculo desta reunião estão relações pessoais mal resolvidas, senilidade e a consciência da decadência, da voz que não corresponde mais ao talento de outrora. A idade é obsessão temática e visual de Hoffman, que parece investigar o próprio envelhecimento no longa. Sua câmera foca nas mãos marcadas, nos olhos cansados e no contraste com a juventude, da médica que administra a casa (Sheridan Smith) ou dos jovens que visitam o local para aprender sobre ópera.

Em um filme cujos conflitos estão essencialmente na história dos personagens, contudo, Quarteto é incapaz de causar empatia. Tendo em suas mãos um elenco talentoso, que também conta com Michael Gambon, chega a ser estranho que Hoffman, considerando sua qualidade como ator, não seja capaz de dar consistência ao filme pelas atuações. Os dramas passam pela tela, mas as relações dos personagens parecem rasas e suas motivações para salvar a casa de repouso soam mais como capricho do que como necessidade. Há momentos de harmonia, especialmente vindos de Billy Connolly e Maggie Smith, mas, ironicamente, falta melodia em um filme sobre músicos aposentados.

Depois de esperar 35 anos, Hoffman ainda parece inseguro sobre sua capacidade como diretor. Suas escolhas optam pelo caminho mais fácil, como se tivesse medo de desistir de tudo mais uma vez. Ainda assim, da mesma forma que seu filme se propõe a mostrar que existe futuro mesmo na velhice, seu Quarteto mostra que, superados os conflitos do passado, é possível seguir adiante. Que venha o próximo filme do diretor Dustin Hoffman.

Nota do Crítico
Bom
O Quarteto
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O Quarteto
Quartet

Ano: 2012

País: Inglaterra

Classificação: 14 anos

Duração: 98 min

Direção: Dustin Hoffman

Elenco: Pauline Collins, Billy Connolly, Tom Courtenay, Michael Gambon, Maggie Smith, Sheridan Smith, Jumayn Hunter

Onde assistir:
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