Filmes

Crítica

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas

DC aprende a rir de si mesma, sem deixar de lado suas qualidades

Camila Sousa
30.08.2018
13h32

Lançada em 2013, a animação Os Jovens Titãs em Ação chegou com uma proposta bem diferente de sua antecessora. Ao invés de grandes vilões e conflitos, a ideia aqui é brincar com a rotina dos ajudantes de super-heróis, que vivem vidas comuns, apesar dos poderes. É de se imaginar que uma ideia tão simples não seja suficiente (ou se torne cansativa) em um filme, mas o grande trunfo de Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é mostrar uma DC que ri de seus erros, mas não deixa de lado suas qualidades.

Cena de Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas
Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas/Warner Animation/Divulgação

Uma das primeiras coisas estabelecidas é que o filme vai brincar - e muito - com os personagens e problemas que o estúdio já teve no cinema. Há, por exemplo, alfinetadas aos filmes derivados que aparecem aos montes todos os anos, brincadeiras com as várias versões do Batman, o filme do Lanterna Verde que não deu certo… Nem o bigode de Henry Cavill em Liga da Justiça fica de fora das referências. Fazendo isso, a Warner Bros. Animation dá o primeiro passo para mudar uma postura muitas vezes vista como sisuda por parte do público, e cria identificação: se a empresa consegue ver onde errou e brinca com isso, os fãs se sentem mais à vontade para fazer o mesmo.

Mas nem de longe a DC/Warner é o único alvo das brincadeiras de Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas. Nas camadas de cada piada, o filme faz uma crítica discreta a toda a indústria do cinema e das produções de super-heróis. Há um destaque para a vaidade em torno desses projetos e como aqueles que fazem sucesso se sentem superiores aos outros (olha mais uma alfinetada aqui). Mas nada disso aparece com tom duro ou de seriedade: tudo está nas entrelinhas para espectador mais atento perceber.

Só que um filme de uma hora e meia não se sustenta só com piadas (ainda que muito boas) e cenas absurdas e, por isso, o roteiro de Michael Jelenic e Aaron Horvath aposta em uma história um pouco mais dramática para o Robin. É o personagem que sente vontade de ter um longa próprio provando seu heroísmo e carrega o peso de sentir-se menor diante de nomes como Superman, Batman e Mulher-Maravilha. O Menino Prodígio se questiona sobre o que é necessário para ser um herói de verdade e, ao fazer isso, cria uma conexão imediata com o público. Afinal, quem nunca se pensou se estava fazendo a coisa certa, ou se poderia ir além? É interessante como o filme consegue colocar questões tão particulares em uma narrativa tão leve.

Tecnicamente, Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas tem uma animação primorosa. Além da movimentação fluída que evolui em relação ao desenho do Cartoon Network, o filme acerta no uso de cores, texturas e todas as brincadeiras possíveis com a animação. Os momentos em que o traço é alterado para homenagear desenhos clássicos são especialmente divertidos. Já os dubladores (tanto em inglês, quanto em português) estão à vontade com os personagens após tantas temporadas na TV e o resultado é que se torna impossível separar a voz do personagem. As reações e os trejeitos de cada um são únicos e os dubladores passam essas emoções naturalmente.

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas não é nem de longe um filme inovador em termos cinematográficos, mas representa um avanço em quem a DC quer ser perante o seu público. Afinal, como o próprio filme mostra, um mundo sem super-heróis é bem triste, sejam eles seres mitológicos que salvam o mundo, ou uma turma de amigos que encontra o sanduíche perfeito.

Nota do Crítico
Ótimo