Sheri Moon Zombie como Baby em Os 3 Infernais

Créditos da imagem: Os 3 Infernais/Divulgação

Filmes

Crítica

Os 3 Infernais

Quase 15 anos depois, Rob Zombie fecha sua trilogia com filme engasgado, pouco violento e sem muito propósito

Arthur Eloi
24.10.2019
17h28

Rob Zombie cravou seu espaço no terror independente. O músico e cineasta chegou a comandar grandes produções - como o reboot de Halloween, de 2007, e sua sequência em 2009 -, mas definiu sua preferência por filmes de baixo orçamento. Zombie não se arrependeu, tendo emplacado franquia com A Casa dos Mil Corpos e Os Rejeitados pelo Diabo. Agora o diretor fecha sua trilogia com Os 3 Infernais, deixando claro que não tem mais nada a explorar.

A trama resgata o sádico trio de serial killers após o sangrento encerramento de Rejeitados, com os assassinos sobrevivendo ao fuzilamento pela polícia e sendo jogados em uma prisão de segurança-máxima. Alguns anos depois, já recuperados e com bastante cobertura midiática, Otis (Bill Moseley) foge com a ajuda de Winslow Foxworth Coltrane (Richard Brake), e planeja como resgatar Baby (Sheri Moon Zombie) para continuarem sua onda de violência. O problema é que os três já não tem mais objetivo após isso, nenhuma vingança significativa ou qualquer outra coisa que justifique as quase duas horas de duração. É um filme que se baseia inteiramente em estender a conclusão do antecessor, que funcionava muito bem por si só.

A falta de conflito - ou mesmo algum antagonista de peso - faz que a trama se arraste. Mesmo que seja bom ver os personagens de volta após quase 15 anos, o gancho não é bom o bastante, e o roteiro tem bastante dificuldade em criar cenários para compensar a falta de propósito. O resultado são momentos em que o trio se esconde em algum lugar e discute entre si a ideia de cometer grandiosos atos violentos, mas que nunca chegam a ser executados. Assim, boa parte do tempo de tela é gasto vendo os maniacos trocando farpas entre si em diálogos mal escritos e desinteressantes. Isso é bem exemplificado por Baby, com Sheri Moon tentando compensar a ausência de material ao tornar sua personagem ainda mais irritante, quase como uma versão levemente mais sombria da Arlequina. Curiosamente, não é o mais baixo que o filme chega.

A metade final introduz um arco ambientado no México que é simplesmente péssimo, trazendo todo tipo de clichê e estereótipo cinematográfico. A parte ruim não é ser ofensivo - até porque é - mas sim piorar ainda mais uma experiência já cansativa. Se até este ponto o espectador não sacou, aqui fica claro que Zombie não tem ideia do que fazer com seus personagens, os colocando para trocar tiros com cartéis de droga (após, claro, muitas cenas deles festejando). Faltou foco no planejamento e na escrita, e falta muitos cortes na versão final.

O roteiro é o que complica Os 3 Infernais, mas o cineasta acerta em outros pontos. Sua noção de estética e técnica de direção evoluíram muito ao longo dos anos, e o longa entrega sequências altamente estilizadas que soam como o cinema exploitation que Zombie quer homenagear. Falando em homenagens, mesmo em meio ao pior trecho da trama, a produção acidentalmente presta respeitos à Sid Haig, intérprete do Captain Spaulding que faleceu em setembro. Em certo momento, o trio discute a ausência do palhaço assassino, afirmando como ele estaria se divertindo se estivesse com eles. Considerando que o filme saiu dias antes de sua morte, soa como um belo tributo. São momentos como esse que lembram que o diretor é habilidoso e bem intencionado, mas o produto final não demonstra isso ao mais parecer um exercício em cinema amador do que o trabalho de um cineasta experiente.

Engasgado e sem muito objetivo, Os 3 Infernais não fecha bem a trilogia. Nem a violência gráfica segura a barra, salvo uma cena envolvendo uma vítima esfolada viva mas, no geral, é muito mais leve do que deveria. O retorno anima de início mas, ao ritmo que avança, soa mais e mais desnecessário por sua falta de foco, brutalidade e, acima de tudo, algo para dizer.

Nota do Crítico
Regular