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Os 3 | Crítica

Diretor de publicidade estreia no cinema com longa-metragem seguro e lindo

Marcelo Forlani
10.11.2011
19h06
Atualizada em
29.06.2018
02h43
Atualizada em 29.06.2018 às 02h43

Chegar em uma escola nova é dureza. Começar a faculdade é ainda pior. Se for em outra cidade, então... Rafael (Victor Mendes), Camila (Juliana Schalch) e Cazé (Gabriel Godoy) estão nessa situação difícil quando se conhecem, em uma festa, e não se desgrudam mais. Vão morar juntos. Vão para a faculdade juntos. Só não dormem juntos porque há entre eles um pacto de que, para a amizade perdurar, nunca role algo entre eles. Assim, sempre juntos, viram "Os 3".

Os 3

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No final dos quatro anos do curso, porém, o acordo é descumprido e Rafael, sobrando, resolve ir embora. Juntos pela última vez, eles apresentam o projeto de conclusão: um serviço na Internet que mistura reality show com compras online. Empolgado com a ideia, Guilherme (Rafael Maia) decide "comprá-la" para implementar na loja de departamentos de seu avô, que precisa "conversar" com o público mais jovem. A única coisa que ele pede é que os próprios criadores participem, abrindo as janelas virtuais de seu mundo real.

Com algum dinheiro envolvido e a última chance de serem "os 3", eles aceitam. Mas o negócio só vira mesmo um sucesso na web quando um triângulo amoroso se forma. E é a partir do fechamento do vértice que a história deslancha. Até então as falas e as movimentações dos atores pareciam coreografadas demais, e só chamavam a atenção os aspectos técnicos do filme, principalmente a linda fotografia de Ricardo Della Rosa (Casa de Areia, Lope). A partir do momento que eles começam a interpretar versões de si mesmos para as câmeras big brother, o longa ganha uma fluidez e um realismo que não estavam presentes até então.

Rafael, enfim, faz o que sempre sonhou e começa a roteirizar cada um dos passos do trio. Camila, que queria ser atriz, atua. E Cazé, que não sabe atuar, mas quer acima de tudo que fique tudo bem, se joga de cabeça na brincadeira. Chega a ser curioso o fato de algo mais realista só apareça na tela quando eles começam a mentir sobre as suas vidas, mostrando algo que os outros querem ver e não o que eles seriam de verdade. O filme, porém, não é panfletário contra os reality shows, o consumismo ou o excesso de exposição voluntária a que nos submetemos nas mídias sociais todas. Olival e o corroteirista Thiago Dottori (VIPs) só querem contar uma história sobre a juventude, os problemas, as pirações e a vontade de viver o máximo que puder no menor período possível. A urgência da idade só não é maior do que a avalanche de hormônios presentes nos corpos dos três, fotografados de forma sensualíssima em super closes e contraluzes. A trilha sonora faz o resto.

O 3º Ato d'Os 3

Reviravoltas não faltam à história, com entradas de novos personagens, criação de subtramas e surgimento de dificuldades que a farsa na frente das câmeras vai trazendo para o convívio real do trio. A humanidade se mostra, então, maior do que tudo. Maior até mesmo do que a amizade entre os três. E chega a hora de definir como tudo aquilo vai acabar.

A história toda se desenrola em rápidos 78 minutos bem montados por Daniel Rezende (Cidade de Deus, Tropa de Elite), que dá ritmo e coerência à vida de três jovens que só queriam uma coisa na vida: ficar juntos. E agora estão! Para sempre. Pelo menos até uma continuação ou remake hollywoodiano, como já propôs o crítico Boyd Van Hoeij, da Variety. Sem dúvida uma prova de que o trabalho foi bem feito.

Os 3
Os 3
Os 3
Os 3

Ano: 2011

País: Brasil

Classificação: 14 anos

Duração: 80 min

Direção: Nando Olival

Elenco: Juliana Schalch, Gabriel Godoy, Victor Mendes, Sophioa Reis

Nota do Crítico
Ótimo

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