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Orgulho e Preconceito | Crítica

Orgulho e Preconceito

Marcelo Forlani
09.02.2006, às 00H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H19
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H19

Uma das mais conhecidas comédias românticas dos últimos anos, O diário de Bridget Jones (2001) presta uma homenagem dupla a uma obra muito maior: o romance Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice), de Jane Austen. Primeiro quando a escritora Helen Fielding decide batizar de Mark Darcy o seu "homem ideal", em referência ao Sr. Darcy, personagem do clássico livro e que recentemente foi eleito pelas mulheres britânicas o par perfeito para um encontro, deixando para trás James Bond e o Super-Homem. E depois quando a diretora Sharon Maguire escolhe Colin Firth para interpretar o personagem, brincando com o fato de que Firth viu sua carreira deslanchar quando deu vida ao Sr. Darcy na minissérie televisiva Orgulho e Preconceito, em 1995.

Se ainda não entendeu a importância da obra para os ingleses, basta dizer que os súditos da Rainha elegeram Orgulho e Preconceito o segundo livro mais importante de sua literatura, atrás apenas de O Senhor dos Anéis.

Orgulho e Preconceito

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Se ainda não entendeu a importância da obra para as comédias românticas, basta dizer que no fim do século 18, Austen criou a história de uma jovem inteligente, sincera e teimosa que conhece um homem aparentemente inacessível, vê o relacionamento entre os dois passar por problemas que separariam qualquer casal para sempre e termina tudo com declarações de amor eterno.

Nem comédia romântica, nem drama de época

Esta adaptação que surge agora pelas mãos de Joe Wright, estreante no cinema, nada tem a ver com os filmes de meg ryans e hugh grants. Os cenários bucólicos, as incessantes reverências e a linguagem mais pomposa retratam a época em que o livro foi escrito. Dias em que o primeiro trabalho de uma mulher era arranjar um marido rico e assim não precisar trabalhar mais. Um período em que casamentos eram arranjados com bebês ainda nos seus berços.

Sem homem algum em casa além do seu marido, a Sra. Bennet (Brenda Blethyn) está desesperada para ver suas cinco filhas casadas e seguras. As meninas, por sua vez, sabem da importância de conseguir um marido que lhes garanta um lar, pois quando seu já velho pai (Donald Sutherland) falecer, as mulheres não terão direito aos seus bens, que serão todos herdados por um primo distante, Sr. Collins (Tom Hollander).

Por isso, a chegada do solteiro Sr. Bingley (Simon Woods) à região causa alvoroço na família. No baile de apresentação, ele não demora para se encantar pela mais velha das Bennets, Jane (Rosamund Pike). Enquanto as três mais novas pulam e dançam de um lado para o outro, Elizabeth (Keira Knightley) tenta - em vão - puxar conversa com o amigo do Sr. Bigley, o sério Sr. Darcy (Matthew Macfadyen).

A forma como o aristocrático Sr. Darcy rejeita Elizabeth e toda aquela experiência no meio do "povo" é uma das características da obra de Austen, que mostra a barreira de castas, geralmente caricaturizando membros das classes altas e dando aos menos abastados a missão de fazê-los descer dos seus pedestais, humanizá-los.

Não imagine, porém, um parado drama de época. Orgulho e preconceito tem elementos cômicos e ótimo ritmo de narração, com os personagens sendo construídos ao longo da história. Em uma das mais belas passagens, o baile no palacete dos Bingley, a câmera passa por vários aposentos, acompanhando diversos personagens. Ótima também é a cena de dança entre Elizabeth e Darcy, quando as trocas de olhares e concentração dos dois "esvazia" o salão.

Suspiros no cinema

Se as mulheres suspirarão com Sr. Darcy, os maridos, namorados e acompanhantes também não terão muito do que reclamar. A ex-bond girl Rosamund Pike está muito bem fotografada e Keira Knightley enfim prova que não é apenas a "it girl" (ou garota da vez), como dizem os norte-americanos. Muito mais charmosa do que realmente bonita, a inglesa conseguiu com este filme sua primeira indicação ao Oscar. Há um certo exagero aqui, mas como todos sabemos que a Academia não premia apenas a atuação, mas também a popularidade, Knightley não deixa de ter os seus méritos.

A versão exibida no Brasil, com 127 minutos, segue o puritanismo do livro e não contém uma cena que nossas mulheres modernas (mas ainda bastante românticas) adorariam ver. Para não correr o risco de perder audiência no importante (leia "rico") mercado norte-americano, que não aceitaria um final tão "europeu", foi exibido nos cinemas do Canadá e Estados Unidos uma versão 8 minutos mais longa e com um final, digamos, mais açucarado, algo que os fãs de Austen condenam.

Pequenas polêmicas à parte, Orgulho e Preconceito tem ainda um trunfo final: consegue deixar o espectador com vontade de sair da sala e ler o livro. Quantas outras adaptações têm este poder?

Keira Knightley

Nota do Crítico
Ótimo
Orgulho e Preconceito (2005)
Pride & Prejudice
Orgulho e Preconceito (2005)
Pride & Prejudice

Ano: 2004

País: França/Reino Unido/Estados Unidos

Duração: 129 minutos min

Direção: Joe Wright, Joe Wright

Elenco: Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Rosamund Pike, Simon Woods, Donald Sutherland, Brenda Blethyn, Jena Malone, Rupert Friend, Judi Dench, Carey Mulligan, Talulah Riley, Kelly Reilly, Tom Hollander, Penelope Wilton, Claudie Blakley, Sinead Matthews, Peter Wight, Tamzin Merchant

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