Operação Overlord

Créditos da imagem: Paramount/Divulgação

Filmes

Crítica

Operação Overlord

Em produção de J.J. Abrams, alemães preparavam uma arma secreta para a Segunda Guerra Mundial

Marcelo Forlani
09.11.2018
19h50
Atualizada em
09.11.2018
20h05
Atualizada em 09.11.2018 às 20h05
Os nazistas ocupam ainda hoje o posto número 1 quando o assunto é encontrar alguém para odiar. Principalmente no cinema, onde o bem e o mal têm que estar tão bem caracterizados, para facilitar o entendimento do público em geral. Se muitos vilões nas artes (e na vida real) acham que estão fazendo o bem, ao menos segundo sua visão distorcida de mundo, o estereótipo do nazista é daquele alemão sádico que não vai pensar duas vezes antes de dar um tiro na testa do outro apenas para provar sua superioridade. E dá para ser pior do que isso? Segundo Operação Overlord (Overlord, 2018), dá.
 
Mas antes de explicar como a situação pode piorar, precisamos voltar um pouco no tempo e subir a bordo de um avião estadunidense que está sobrevoando a França alguns dias antes do Dia D. A bordo do aeroplano estão uma dúzia e meia de soldados, a maioria deles com no máximo vinte e poucos anos e nenhuma experiência além dos campos de treinamento. Eles fazem parte do batalhão que deve saltar de paraquedas atrás da linha de soldados alemã para abrir terreno para a grande invasão das tropas aliadas que pode livrar o país da ocupação germânica e mudar o rumo da Segunda Guerra Mundial.
 
A referência mais óbvia para esta primeira parte do filme é O Resgate do Soldado Ryan. E guardadas todas as devidas proporções para a super-realista chegada à praia de Omaha filmada por Steven SpielbergOperação Overlord começa muito bem, com tiros, explosões, mortes inesperadas e muita tensão. É um estilo diferente de filmagem, com mais computação gráfica do que os efeitos práticos utilizados no filme de 1998, mas sem deixar de parecer real.
 
Não espere, porém, uma aula de história. Naquela época, por exemplo, negros tinham suas próprias unidades e jamais estariam misturados com soldados brancos pulando de paraquedas, como acontece com Boyce (Jovan Adepo). O que vale aqui é a história que está sendo contada - e que sofre uma reviravolta a partir do momento em que os soldados sobreviventes chegam a sua vila de destino e lá têm de se desdobrar para fugir dos soldados nazistas enquanto procuram uma forma de subjugar uma torre de comunicação. 
 
Em poucos minutos descobrimos que há muito mais acontecendo por ali e o que até então era um filme de guerra ganha ares de Filme B, com monstros, sangue e (por que não?) uma donzela em perigo. Mas não ache que é uma donzela à moda antiga. Estamos falando de Chlöe (Mathilde Olivier), uma jovem francesa que faz o que pode e o que precisa para cuidar de seu irmãozinho e sobreviver no meio da guerra. 
 
Enquanto isso, os alemães utilizam um elemento achado no solo francês para construir uma espécie de soro do super-soldado, mas com efeitos colaterais muito mais nocivos e preocupantes do que o que acontece com o Capitão América. Voltando à pergunta do começo do texto, os nazistas do filme estão querendo ir além da "supremacia ariana", eles buscam uma forma de criar soldados imortais!
 
É neste cenário maniqueísta e com heróis improváveis que Operação Overlord diverte. O roteiro arranca risadas da plateia - algumas por pura tensão. Mas é na sua falta de vergonha de ser um Filme B feito com dinheiro (38 milhões de dólares) e bom gosto que Overlord se destaca, mesmo sem ser brilhante. Como fo dito, escalar nazistas como vilões é fácil. Difícil é saber o que fazer com eles. 
Nota do Crítico
Bom