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Crítica

Once Upon a Time in Harlem conecta gerações para resgatar história fundamental

Documentário de Cannes registra ícones da Renascença do Harlem nos EUA

Omelete
3 min de leitura
18.05.2026, às 10H45.
Once Upon a Time in Harlem (Reprodução)

Créditos da imagem: Once Upon a Time in Harlem (Reprodução)

Há 50 anos em desenvolvimento, Once Upon a Time in Harlem (Era Uma Vez no Harlem, em tradução livre) é uma história de gerações. Filmado pelo lendário cineasta William Greaves numa tarde de domingo em agosto de 1972, este filme foi finalizado agora, décadas depois, por seu filho, na época o cinegrafista do diretor e um jovem de 22 anos. Juntos, William e David Greaves passaram horas numa festa concebida pelo próprio diretor para receber uma série de artistas envolvidos com a Renascença do Harlem.

Todos figuras notáveis, de alguma forma, do movimento negro da primeira metade do século XX nos EUA, esses homens e mulheres são escritores, pensadores, pintores, músicos e jornalistas que, através de suas criações, elevaram suas comunidades e colocaram no holofote questões sobre a existência afro-americana que até ali eram relegadas às margens da sociedade. Em seus jornais, palcos e revistas, essas figuras conectavam ideias com um público que precisava urgentemente ouvi-las, para enfim se reconhecer na cultura. 

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Com lindas imagens registradas naquele dia inesquecível, mas restauradas para o aqui e agora, Once Upon a Time in Harlem se deleita em deixar seus personagens contarem a história dessa renascença – literalmente. O que Greaves pai parecia entender e Greaves filho claramente herdou foi a certeza de que essas pessoas não precisavam de muita editorialização para serem fascinantes. Entre anedotas sobre episódios da época e discussões filosóficas, o documentário encontra mais do que o suficiente para nos prender. É um prazer ver estes amigos relembrarem os acontecimentos da renascença que, segundo alguns deles, aconteceu nos anos 1920, e segundo outros, nos anos 1930.

Isso, aliás, diz muito sobre outro grande mérito de Once Upon a Time in Harlem. Discutindo organizações, líderes e linhas ideológicas, o filme abre espaço para discordâncias. Há discursos sobre o esquecimento de mulheres instrumentais no desenvolvimento da presença de pretos na arte, debates sobre abordagens distintas que diferentes representantes tomaram e qual era melhor, e assim vai. Once Upon a Time in Harlem não veio tirar conclusões. Ele sabe que a verdadeira riqueza está exatamente na variedade de pensamentos, porque todos eles seguem o mesmo princípio: o de enxergar a pessoa negra como humana, digna de valor e capaz de produzir trabalhos encantadores.

Acima de tudo, este é um filme sobre como preservar isso. Mais de uma vez naquela reunião, que acontece 50 anos depois da Renascença do Harlem, é dito como as gerações daquele tempo já estavam esquecendo as conquistas de seus antepassados. Quando este tópico é levantado, um dos membros do grupo faz questão de não jogar a culpa somente nos jovens. Eles também falharam em transmitir seus feitos e aprendizados. Felizmente, William Greaves não cometeu esse equívoco, e o filme realizado por David é prova disso. Não só isso, como Once Upon a Time in Harlem vai ajudar tudo aquilo a viver para sempre.

Nota do Crítico

Once Upon a Time in Harlem

2026
100 min
País: EUA
Direção: David Greaves, William Greaves
Onde assistir:
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