Filmes

Crítica

Oceanos | Crítica

Documentário de cineastas franceses mostra as mais lindas imagens do fundo do mar

Marcelo Forlani
16.12.2010
18h38
Atualizada em
23.12.2016
15h00
Atualizada em 23.12.2016 às 15h00

Oceanos (Oceans) é a antítese dos filmes que se apoiam no texto. Um completo oposto ao que fazem cineastas como Kevin Smith e Quentin Tarantino ao usar as línguas afiadas de seus personagens para contar uma história. Com o perdão da expressão, Jacques Perrin e Jacques Cluzaud literalmente mergulharam no assunto do seu novo filme e mostram imagens em altíssima qualidade da fauna marinha como nunca se viu antes.

Estão lá o balé dos golfinhos (dezenas e dezenas de golfinhos!), as formas geométricas com que cardumes de atuns se agrupam na hora de tentar fugir de seus predadores, os mergulhos precisos de aves que furam a água como tiros, os tubarões que chegam a pular da água na hora de abocanhar focas e até orcas que nadam até a orla atrás do seu almoço. Ainda falando sobre o predadorismo, pode-se ver também momentos incríveis em que peixes usam o mimetismo para se esconder de suas presas até a hora do bote certeiro.

Oceanos

None

Oceanos

None

Oceanos

None

Mas é claro que não tem só isso. Os câmeras-mergulhadores captaram lindas imagens de águas-vivas, arraias e tantos outros animais que a maioria de nós nem sabia que existiam, das mais variadas formas, tamanhos e cores. O filme mostra como a natureza equilibrou os seres vivos e criou as cadeias alimentares, dando espaço também para as relações simbióticas entre eles - e como é legal ver enormes predadores sendo limpados por animais tão pequenos e também tão importantes.

Oceanos é exibido quase que integralmente em câmera lenta, o que o deixa ainda mais bonito. E a forma como foi montado, aliado à trilha sonora precisa de Bruno Coulais (Coraline e o Mundo Secreto) engrandece ainda mais o trabalho de roteiro de Perrin e Cluzaud.

E daí tem os humanos - sempre eles! Neste ponto do filme, os cineastas deixam de lado as belas imagens para mostrar o predadorismo cruel, que coloca motivos financeiros acima de qualquer outra coisa. Em uma das cenas mais duras, vemos pescadores despejando um tubarão de volta para o mar depois de arrancar suas barbatanas, nadadeiras e rabo. E o animal, um dos mais temidos dos oceanos, vai afundando e sangrando enquanto ainda tenta nadar, sem sucesso. A cena é chocante, mas contrasta demais com o restante do filme, fazendo assim menos efeito do que deveria.

E sobra tempo ainda para mostrar a sujeira produzida e eliminada nos mares, em imagens de satélite que mostram o oceano sendo infectado por manchas negras. É a terapia de choque para mostrar o que o homem vem causando e alertar para os animais que já estão em extinção e o que pode acontecer em breve, quando a exploração dos pólos poderá levar à extinção de ainda mais espécies.

Dá para entender a ideia dos franceses e da Disney Nature ao colocar essa moral da história, a lição do He-Man ali no fim. Mas da forma como foi feita, parece que a ideia surgiu já no fim do projeto, talvez até imposta, e costurada ali. Ao trocar as imagens pelo texto, o filme abdica do poder das imagens da natureza e, por um momento, deixa de ser perfeito, passando a ser humano.

Nota do Crítico
Ótimo