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Crítica

O Touro Ferdinando | Crítica

Fórmula perfeita para as férias das crianças e ainda com uma sementinha para um mundo melhor

Marcelo Forlani
16.01.2018
14h25
Atualizada em
17.01.2018
14h51
Atualizada em 17.01.2018 às 14h51

Quando fez Rio e Rio 2, o brasileiro Carlos Saldanha pegou sua lente de aumento e mostrou os clichês que existem ao redor de nosso país e nossa cultura. Agora, chegou a hora de pegar sua lupa e levar para o velho continente e olhar a Espanha, país das touradas, dos churros e, aparentemente, das flores. É lá na Península Ibérica que um grupo de bezerros treina seus ainda diminutos chifres enquanto sonham em desafiar “el matador” em uma arena. Para eles, não existe honra maior.

O mais nervosinho do rebanho é Valente (voz original de Bobby Cannavale). O mais veloz é Magrão (Anthony Anderson). Tem também Guapo (Peyton Manning), forte e ágil, mas que não sabe lidar com pressão. E, por fim, temos Ferdinando (John Cena), um garrote pacifista, que prefere cheirar uma flor a brigar com alguém.

Ao fim das apresentações de personagens, entram em cena os pais dos novilhos, que disputam justamente a chance de serem escolhidos pelo toureiro. Ao final da cena entendemos os motivos de Valente ser do jeito que é e vemos também a relação de carinho entre Ferdinando e seu pai, que o instrui a ser quem ele quer ser.

Estão na mesa os temas da animação, que adapta para as telas o livro homônimo de Munro Leaf e Robert Lawson, publicado originalmente em 1936 e que já teve um curta-metragem feito pelos estúdios Disney. O bullying, a liberdade de escolha, o pacifismo, tudo isso está lá.

Paz e Amor

Quando consegue fugir da Casa de Touros onde morava e acha um novo lar na fazenda de flores, parece que a vida de Ferdinando está nos eixos. Mas o novilho cresce e vira um Godzilla dócil, o maior touro que a região da Andaluzia já viu. E usando a piada do elefante na loja de cristais, Saldanha extrai humor enquanto pode, até que o tamanho de Ferdinando acaba levando-o novamente para o caminho das touradas.

Em sua volta ao local onde são criados os touros que vão para a arena, Ferdinando reencontra seus velhos amigos e conhece novos animais. O destaque fica para os ouriços Um, Dois e Quatro (não pergunte sobre o Três!) e a cabra Lupe, que é louquinha como uma Dory da fazenda.

Se na década de 1930 O Touro Ferdinando era algo progressista (chegando inclusive a ser proibida na Espanha de Franco e na Alemanha de Hitler!), hoje deveria ser visto por muitas crianças como normal. A verdade, porém, é que ainda estamos longe deste ideal. Embora muitas comunidades já tenham abolido as touradas, bem como muitas outras crueldades que antes eram consideradas normais contra os animais, ainda temos lugares onde ela continua existindo. E enquanto deveríamos todos trabalhar pela paz e harmonia, ainda há governantes por aí que acreditam no uso da força acima de tudo. 

A mensagem de paz e liberdade de escolha continuam sendo atuais. O pessoal da BlueSky faz o resto com um desenho fofo, bom timing cômico e um roteiro redondinho. Fórmula perfeita para as férias das crianças e ainda com uma sementinha para um mundo melhor.

Nota do Crítico
Bom