Filmes

Crítica

O Que de Verdade Importa

Longa do mexicano Paco Arango não sabe se é drama ou comédia

Camila Sousa
27.09.2018
14h03
Atualizada em
28.09.2018
19h48
Atualizada em 28.09.2018 às 19h48

Quando um filme diz que é baseado em fatos, imediatamente sua história ganha mais peso. Afinal, tudo o que está ali em tela extrapola a pura ficção para algo que existe (ou existiu) no nosso mundo. Mas esse nem de longe é o caso de O Que de Verdade Importa, longa escrito e dirigido pelo mexicano Paco Arango. Com escolhas questionáveis e momentos sem sentido, o filme, na verdade, tira qualquer importância que poderia ter.

Foto de O Que de Verdade Importa
O Que de Verdade Importa/Topsail Entertainment/Divulgação

A trama é centrada em Alec Bailey (Oliver Jackson-Cohen), um jovem que vive sem muito propósito após perder sua família e não ter muito sucesso nos negócios. Então Raymond Heacock (Jonathan Pryce), um tio muito distante, reaparece e faz uma revelação: Alec faz parte de uma família de curandeiros e precisa decidir na noite do seu aniversário se vai assumir ou abdicar desse dom.

Claro, para aqueles que não acreditam em curandeiros o filme perde bastante de sua força com essa revelação, mas esse não é o maior problema. O que faz de O Que de Verdade Importa um filme fraco é que ele constrói mal as relações dos personagens. Interesses amorosos surgem do nada, pessoas se tornam amigas imediatamente após se conhecerem e Alec toma sua decisão com motivações questionáveis. Quando os diálogos existem, são tão óbvios e artificiais que todos ali parecem viver em um mundo perfeito. O único que sai desse padrão é Jonathan Pryce, que, inclusive, parece se divertir em algumas cenas, mas não salva o resultado negativo.

A mistura entre o drama e o cômico é outro problema da produção. O filme não decide como quer contar sua história e isso faz com que momentos e músicas "divertidas" apareçam em momentos que não deveriam. Comédias dramáticas são comuns no cinema, mas ao tomar essa decisão, o cineasta precisa saber como dosar esses estilos tão diferentes, para que um não atrapalhe o desenvolvimento do outro. Quando feito da forma errada, o resultado é o que este filme apresenta: cenas completamente estranhas e deslocadas, que tiram qualquer força que o longa poderia ter e se tornam uma caricatura de sua própria narrativa.

O Que de Verdade Importa tinha a pretensão de contar a história intensa de um jovem descobrindo seu lugar no mundo, mas causa apenas estranheza, como um filme infantil protagonizado por adultos. Não há profundidade na trama, carisma nos personagens ou nada que crie interesse pelo que é mostrado na tela. Ao final, a única sensação possível é da vergonha alheia.

Nota do Crítico
Ruim