Predador

Créditos da imagem: Fox/Divulgação

Filmes

Crítica

O Predador

Shane Black leva sem medo sua assinatura para franquia iniciada em 1987

Natália Bridi
09.09.2018
16h51
Atualizada em
11.09.2018
15h57
Atualizada em 11.09.2018 às 15h57

Shane Black é um diretor de extremos. Seus filmes podem ser facilmente odiados ou adorados - vide o controverso Homem de Ferro 3. É uma questão de entender - e comprar - o seu senso de humor. O Predador é mais um desses casos: ou se abraça a zoeira ou se vai para casa rever o original de 1987.

“O velho se torna novo”, disse o cineasta antes de apresentar o filme em uma sessão da meia-noite durante o Festival de Toronto. Para renovar uma franquia, explica, é preciso voltar às raízes, ao mesmo tempo em que se atualiza a ideia original. Assim, o novo Predador é retrô, mas também completamente diferente.

Ao lado de Fred Dekker, com quem escreveu Deu a Louca nos Monstros (The Monster Squad), Black dá ao filme a sua assinatura, trazendo todos os elementos que fazem a sua fama desde Máquina Mortífera. Há camaradagem genuína entre os personagens, cenas de ação mirabolantes e uma ironia geral em torno de tudo. Piadas metalinguísticas tiram sarro das continuações da franquia, discursos científicos são tratados com desdém e quase todo diálogo termina com uma frase de efeito. Até mesmo a qualidade visual serve à proposta, com uma computação gráfica datada, mas efeitos práticos primorosos.

Para essa receita funcionar, o elenco é essencial. Black reuniu um time de atores de experiências variadas que, em conjunto, dão vida ao que facilmente poderia dar errado. Sua ideia é seguir o caminho contrário do primeiro longa, começando com um grupo desintegrado para criar um verdadeiro esquadrão. Boyd Holbrook vende bem o seu papel como líder, sendo acompanhado por Thomas Jane, Keegan-Michael Key, Trevante Rhodes, Alfie Allen e Augusto Aguilera. Com diálogos rápidos e precisos, os atores garantem consistência suficiente para que se ignore que o time inseparável acaba de se conhecer. No seu entorno, Jacob Tremblay fica encarregado de ser a criança prodígio, Sterling K. Brown dá credibilidade para um “vilão” bem-humorado e Olivia Munn evita que essa seja uma “festa da salsicha” - a personagem, uma cientista, contorna uma série de clichês sobre mulheres em filmes de ação.

Sem fugir do gore, o estilo do filme dá um tom cartunesco à violência. Somando narrativa e visual, O Predador é como um grande desenho animado para adultos, sem medo de rir dos seus absurdos. Há risco que seja interpretado como uma grande piada, mas é um filme autoral. Esse é o jeito de Shane Black fazer do velho algo novo, quer você goste ou não.

Nota do Crítico
Ótimo