O Pálido Olho Azul

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

Excesso de conveniências torna O Pálido Olho Azul suspense sem impacto

Harry Melling se destaca em meio a atuações desequilibradas de elenco coadjuvante

Omelete
3 min de leitura
06.01.2023, às 18H31

O Pálido Olho Azul, adaptação do livro homônimo de Louis Bayard, chegou à Netflix com pouquíssima pompa, apesar de contar com nomes como Christian Bale, Gillian Anderson, Toby Jones e Robert Duvall. Ainda que o streaming tenha levado o longa de Scott Cooper para os cinemas norte-americanos para uma curtíssima temporada, seu lançamento discreto evidencia uma confiança relativamente baixa no título. Embora não chegue nem perto de ser desastrosa, a produção infelizmente desperdiça seu grande potencial ao entregar um suspense bem montado, mas pouco impactante.

O longa começa forte, usando diálogos expositivos, mas bem escritos, para apresentar eficientemente Augustus Landor (Bale), um torturado detetive veterano que vive recluso após perder a esposa para uma doença repentina e a filha, que fugiu com um estranho. Sem enrolar o espectador, Cooper, que também assina o roteiro, joga o investigador e o público para a cena do assassinato de um dos estudantes de uma academia militar norte-americana. Rapidamente, Landor é apresentado ao cadete e poeta aspirante Edgar Allan Poe (Harry Melling), que ele convoca para ajudá-lo a encontrar os responsáveis pelo crime brutal. A partir daí, no entanto, o texto passa a se apoiar excessivamente em conveniências irreais, que acabam por diminuir as surpresas da trama.

Com frequência, Landor e Poe se deparam com pistas, suspeitas e testemunhas por puro acaso, fazendo com que o avanço de suas investigações pareça depender menos da genialidade da dupla e mais do que Cooper precisava para desenrolar sua trama. Autópsias incompetentes, familiares surpreendentemente colaborativos e árvores genealógicas convenientes surgem com pouquíssima justificativa e transformam o que poderia ser um ótimo quebra-cabeças em uma narrativa simplista e pouco inspirada. Mesmo quando tem boas ideias, o cineasta as executa de forma amadora, diminuindo o impacto até mesmo da grande reviravolta guardada para os momentos finais da produção.

O longa também sofre com uma constante crise de identidade. Preso em um vai-e-vem entre suspense policial e thriller sobrenatural, O Pálido Olho Azul acaba se tornando uma colcha de retalhos mal costurada de tropos de ambos os gêneros, mas sem a tensão inerente que os torna tão atraentes para o público.

Ciente dos problemas no desenvolvimento da história de O Pálido Olho Azul, Cooper disfarça esses buracos com uma direção de cena competente e uma fotografia tão mórbida quanto deslumbrante, que une figurinos pomposos e coloridos do século XIX à atmosfera cinzenta do inverno norte-americano. Assim como fez em Coração Louco, que lhe rendeu grande reconhecimento em 2009, o diretor cria sequências intensas e detalhadas, com um dinamismo que prende o público até quando o texto atinge seu ponto mais fraco.

Em seu terceiro lomga com Cooper, Bale também entrega um trabalho seguro, mas distante das melhores atuações de sua carreira. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito do elenco de apoio. Apáticos, Jones, Duvall e Lucy Boynton pouco fazem além de ditar seus diálogos tediosamente até nas cenas mais emotivas. Já Anderson parece estar em um filme completamente diferente dos colegas e atua de maneira demasiadamente caricata. Decepcionante, a atriz fica anos-luz longe do brilhantismo que ela costuma apresentar até em seus menores papéis.

Melling, por outro lado, se destaca ao desaparecer no papel de Poe. Intenso, o ator deixa para trás qualquer vestígio de seus dias de Duda Dursley, aumentando a sequência de boas atuações que ele acumulou nos últimos anos com produções como O Gambito da Rainha e A Tragédia de Macbeth. Mesmo que não salve completamente O Pálido Olho Azul, sua presença transforma os 128 minutos de história inconstante em um entretenimento cativante.

Embora fique longe de alcançar o potencial absurdo prometido pelos grandes nomes envolvidos, O Pálido Olho Azul não é um filme ruim. Bem estruturado, o suspense deve conquistar sua parcela de fãs, evitando cair no esquecimento em meio ao vasto catálogo da Netflix.

Nota do Crítico
Bom
O Pálido Olho Azul
The Pale Blue Eye
O Pálido Olho Azul
The Pale Blue Eye

Ano: 2022

País: Estados Unidos

Classificação: 16 anos

Duração: 128 min

Direção: Scott Cooper

Roteiro: Scott Cooper

Elenco: Harry Melling, Lucy Boynton, Gillian Anderson, Christian Bale

Onde assistir:
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