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Crítica

O Mundo Encantado de Gigi | Crítica

Animação japonesa de Rintaro mistura folclores com inteligência

Érico Borgo
23.12.2010
18h22
Atualizada em
03.11.2016
17h06
Atualizada em 03.11.2016 às 17h06

O excelente estúdio japonês Madhouse é conhecido pela sua extensa produção de animações adultas, como Perfect Blue, Paprika, Tokyo Godfathers e Gen - Pés Descalços. Mais recentemente, tem conquistado espaço com as adaptações à estética japonesa de criações ocidentais como Supernatural, Batman: O Cavaleiro de Gotham e a linha Marvel Anime. Mas os filmes infanto-juvenis da empresa devem ser igualmente celebrados, já que não ficam muito atrás do cultuado Studio Ghibli de Hayao Miyazaki.

Com O Mundo Encantado de Gigi (Yona Yona Pengin), não apenas o Madhouse continua essa longa tradição de produções de qualidade mas também oferece seu primeiro longa-metragem totalmente criado através de computação gráfica - e o resultado é encantador.

Gigi

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Na trama, a garotinha Gigi passa seus dias vestida como um pinguim, tentando voar - "mas pinguins não voam", caçoam dela os garotos das redondezas. Gigi não se importa, afinal, foi seu pai quem contava a ela histórias do tempo em que voava com os pinguins. A chance de Gigi provar que seu pai estava certo surge quando ela é magicamente levada à Vila Goblin, onde uma profecia promete que, um dia, o grande pássaro que não sabe voar virá para salvá-los da maior ameaça que já enfrentaram, o tenebroso Boukkha-Boo.

O diretor Rintaro (pseudônimo de Shigeyuke Hayashi) - um dos principais nomes do Madhouse, discípulo do mestre Osamu Tezuka e responsável por inúmeros animes clássicos (incluindo aí Osamu Tezuka's Metropolis) - soube realizar uma história cheia de aventura e carregada de emoção. É excelente a maneira como ele restringe as informações sobre o passo de Gigi e seu pai, revelando-as aos poucos em nome da ótima catarse.

A narrativa elegante, aliada ao inventivo design de criaturas e cenários (que às vezes se fundem, como no castelo de morcegos), compensa a computação gráfica abaixo da média do mercado mundial. O padrão das produções norte-americas, afinal, está altíssimo, impulsionado pela Pixar e DreamWorks Animation. Essa dureza técnica, no entanto, é logo esquecida quando somos apresentados ao universo cheio de surpresas criado por Rintaro, rico em detalhes e dotado de uma mitologia quase ecumênica. O Mundo Encantado de Gigi tem divindades nipônicas, querubins celestiais e monstros saídos do folclore europeu, todos convivendo harmonicamente.

É uma ótima surpresa em um circuito exibidor normalmente avesso aos filmes oriundos de mercados que não o hollywoodiano - especiamente quando o gênero em questão é o infantil - que um filme como O Mundo Encantado de Gigi tenha conseguido espaço nas telas. A produção o merece. Agora, cabe aos tais "pais e responsáveis" a tarefa de convencer os pequenos a deixar um pouco de lado o que é seguro e apostar em uma estética diferente, mas não menos rica.

Nota do Crítico
Ótimo