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Filmes

Crítica

O Melhor Está Por Vir

Sem muitas inovações, longa francês usa história de dois amigos para falar sobre o final da vida com leveza

Camila Sousa
05.03.2020
11h49

A inevitabilidade da morte é algo que assusta, ao mesmo tempo em que gera uma curiosidade mórbida das pessoas. Exatamente por isso é comum ter filmes e séries que tratam sobre o tema. O que você faria se soubesse que iria morrer em apenas alguns meses? Esse é o ponto de partida de O Melhor Está Por Vir, longa francês dirigido pela dupla Matthieu Delaporte e Alexandre de La Patellière (ambos de Qual é o Nome do Bebê). Mas, ao invés de abordar o tema focando na família, que seria mais óbvio, a produção tem a amizade entre Arthur (Fabrice Luchini) e César (Patrick Bruel) como linha principal.

A produção é feliz ao fazer isso, especialmente ao estabelecer que os dois são extremamente diferentes desde a infância. Enquanto Arthur é alguém calmo, que não gosta de agitações e se tornou um professor ranzinza, César é o clássico bon vivant, que gosta de estar ao lado de belas mulheres, gastar dinheiro e aproveitar as “coisas boas” da vida. É esta dinâmica que dá todo o charme ao filme.

Arthur e César não têm nenhum laço sanguíneo e poucas coisas em comum. Não há nada que os obrigue a ficar juntos em um momento tão difícil. Mas eles escolhem isso, no final das contas, e enfrentam a descoberta de um câncer viajando e se divertindo pelo mundo. Há alguns clichês neste caminho, claro, como quando Arthur entra em um avião, apesar de ter muito medo de voar, provando que este é o momento para “fazer algo que você jamais faria”.

O humor ácido também dá personalidade ao filme. Não são poucas as vezes em que César faz piadas com a doença e até utiliza a condição para passar na frente nas filas (embora nenhum dos dois realmente precise) e conseguir um upgrade na companhia aérea. São trechos cômicos rápidos, que deixam a história dinâmica e também auxiliam na construção da relação entre os amigos. 

Também não é surpresa como a doença faz aqueles que estão saudáveis mudar de atitude. Ao perceber o quanto a vida é passageira, Arthur e César revêem seus conceitos e pouco a pouco passam a valorizar as coisas que realmente importam: um momento ao lado da família, uma reconciliação com alguém do passado, uma tarde ao lado de um grande amigo.

Apesar de ter uma ou outra reviravolta que muda o jogo já no terceiro ato, O Melhor Está Por Vir é um filme linear, que traz conclusões óbvias, mas que nem por isso deixam de ser importantes. Ao final da produção, é impossível não sair do cinema com a mensagem deixada por Arthur e César: já que a morte chega para todos, aproveite o melhor da vida agora.

Nota do Crítico
Bom