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Crítica

Crítica: O Massacre da Serra Elétrica

O Massacre da Serra Elétrica

Érico Borgo
25.02.2005
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h17
Atualizada em 21.09.2014 às 13h17

Ed Gein (1906-1984), um fazendeiro do estado norte-americano do Wisconsin, provavelmente é um dos maiores contribuidores do cinema de terror e suspense norte-americano. Curiosamente, ele não era um escritor ou cineasta, mas sim, um necrófilo, canibal e um dos mais famosos assassinos seriais dos Estados Unidos. Com seus desvios, Gein inspirou filmes como Psicose (Psycho, de Alfred Hitchcock, 1960), O silêncio dos inocentes (The Silence of the Lambs, de Jonathan Demme, 1991) e O massacre da serra elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, de Tobe Hooper, 1974), três dos maiores clássicos do gênero.

O sinistro legado de Gein foi mais uma vez lembrado em 2003, quando o poderoso produtor Michael Bay (Pearl Harbor, Armageddon) pediu a seus associados que desenvolvessem um filme de terror simples, pequeno e aterrador. A idéia apresentada foi justamente uma versão moderna do Massacre da Serra Elétrica de 1974, com o diretor do original, Tobe Hooper, como co-produtor.

O Massacre da Serra Elétrica

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O resultado, apesar de nada ter de original - algo bastante normal no mar de psicopatas mutiladores que inunda as telas hoje em dia - agrada pela homenagem e por alguns momentos inspirados, mas é bem menos corajoso que seu modelo. Enquanto Hooper inovou em seu tempo com a carniceria do "Cara de Couro", Leatherface (Gunnar Hansen), o diretor de videoclipes Marcus Nispel apresenta apenas uma releitura da história, nada chocante para o público de hoje, quando até senhoras católicas assistem a mutilações bíblicas e mantém suas refeições sob controle.

De qualquer forma, O massacre da serra elétrica de 2003 - sim, ele levou inexplicáveis dois anos pra estrear no Brasil - é um bom entretenimento para os fãs do gênero, que vão se divertir com a nova versão - feita por Andrew Bryniarski - de um dos psicopatas mais cultuados da história do cinema. E não se sinta culpado se você se surpreender torcendo por ele no filme.

Na história, cinco azarados e bonitos jovens cruzam o interior do Texas em direção a um show da banda Lynyrd Skynyrd quando seu passeio é interrompido por uma garota que caminha pelo meio da pista. Traumatizada, ela mal consegue articular sentenças e o grupo decide ajudá-la. Péssima idéia. Ao se aventurarem pela região, acabam sendo alvos de uma família local que parece saída de um circo de aberrações. Não tarda para que o banho de sangue comece e nem mesmo a Lei, na forma do sherife Hoyt (R. Lee Ermey, carismático como sempre), pode impedi-lo.

A maior virtude do filme de Nispel é criar uma atmosfera de perigo iminente durante toda a fita. De fato, os primeiro minutos, uma montagem a la Bruxa de Blair com uma fita da polícia (narrada guturalmente por John Larroquette, que participou do longa de 1974), já deixam o espectador pronto para o suspense. Mas grande parte do crédito se deve a Daniel Pearl, o diretor de fotografia, que também ocupou a mesma função na produção original.

Todavia, é na tentativa de se adequar à estrutura esperada pela audiência que o filme perde qualidade. A heroína interpretada por Jessica Biel (Blade: Trinity) insiste em cumprir os desnecessários clichês do gênero. Grita, corre, cai, corre outra vez. Não é preciso queimar muitos neurônios pra imaginar o que vai acontecer no final, algo que cai na velha armadilha do "gancho" para a continuação e tira boa parte da força do suspense.

Assim, se não supera seu antecessor, pelo menos a novidade recupera um pouco de seu espírito, o que é muito mais do que podemos dizer da maioria dos filmes de terror da atualidade.

Nota do Crítico
Bom