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Crítica

O Lugar Onde Tudo Termina | Crítica

Filme feito de ciclos que se fecham não dá segundas chances a ninguém

Marcelo Hessel
20.06.2013
20h48
Atualizada em
29.06.2018
02h44
Atualizada em 29.06.2018 às 02h44

O Lugar Onde Tudo Termina refaz a parceria entre o ator Ryan Gosling e o diretor Derek Cianfrance imediatamente depois de Namorados Para Sempre, mas já no começo do filme, pelo tom da trilha sonora composta por Mike Patton, percebemos que o drama do longa anterior vai dar lugar ao suspense.

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Inicialmente o reencontro do motoqueiro Luke (Ryan Gosling) com a garçonete Romina (Eva Mendes) tem aquele mesmo clima de intimidade e de coisas não ditas que o trabalho anterior de Cianfrance construia, inspirado pelos casais em desarranjo que pareciam, nos filmes de John Cassavetes, carregar nas costas o peso do mundo. Ao rever Romina, Luke descobre que tem um filho recém-nascido - é peso suficiente para tirar o protagonista do rumo.

Caminhos que se tomam na vida e ciclos que se fecham, num movimento sempre contínuo e sem retorno, são os temas de O Lugar Onde Tudo Termina, como já sugere a imagem que abre o filme, a apresentação do motoqueiro num globo da morte num circo. Luke gira em círculos antes de rever Romina, como se procurasse sempre na vida onde estacionar, e, depois de saber que é pai, resolve acelerar com sua moto numa floresta - ação que a câmera de Cianfrance registra com frenesi como metáfora da confusão mental do personagem.

Estradas são percorridas ao longo das duas horas e meia de filme, e 15 anos se passam entre o reencontro do casal, que provocará uma perseguição envolvendo um policial novato (Bradley Cooper), e os reflexos desse reencontro na vida de outras pessoas. Contar mais sobre a trama é desnecessário - tudo no filme remete ao princípio.

...O que acaba tornando O Lugar Onde Tudo Termina um filme bastante previsível, já que as viradas da trama (dá pra antever que certos personagens vão se cruzar no futuro e acertar contas ancestrais) seguem uma lógica fatalista. Na primeira hora, o ritmo que Cianfrance impõe ao filme é bastante envolvente, acelerando a narrativa para sugerir que não há outro momento, senão o agora, para cada personagem tomar uma decisão. Quando a estratégia (e os simbolismos) se esgota, restam tipos sufocados pela predestinação.

O Lugar Onde Tudo Termina não chega a ser um Crash - No Limite, um discurso moralista sobre hipocrisia que não dá a seus personagens nenhuma chance de tomar suas próprias decisões. Está, porém, mais longe daquele promissor flerte de Cianfrance com o cinema de Cassavetes, porque embora os heróis do dia a dia em Cassavetes parecessem sempre fadados ao fracasso, a vida não lhes negava o prazer de viajar à deriva.

O Lugar onde Tudo Termina | Cinemas e horários

O Lugar Onde Tudo Termina
The Place Beyond the Pines 
O Lugar Onde Tudo Termina
The Place Beyond the Pines 

Ano: 2013

País: EUA

Classificação: 14 anos

Duração: 140 min

Direção: Derek Cianfrance

Elenco: Ryan Gosling, Eva Mendes, Bradley Cooper, Rose Byrne, Ben Mendelsohn, Bruce Greenwood, Ray Liotta, Dane DeHaan, Emory Cohen, Mahershalalhashbaz Ali, Olga Merediz, Gabe Fazio, Harris Yulin, Robert Clohessy, Anthony Pizza, Craig Van Hook, Luca Pierucci, Jennifer Sober, Kayla Smalls, Frank J. Falvo, Hugh T. Farley, Greta Seacat

Nota do Crítico
Regular

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