Justiceiro: Uma Última Morte é jornada violenta, mas incompleta de Frank Castle
Especial do Disney+ conecta personagem ao futuro do MCU, mas formato curto limita a história
Créditos da imagem: Divulgação/Marvel
Em menos de uma semana, Jon Bernthal estreou em dois especiais no Disney+ interpretando personagens que se tornaram sua marca: homens atormentados. O primeiro foi Mikey, em O Urso, em um episódio surpresa sobre um flashback dolorido que mostra, mais uma vez, as relações do personagem se despedaçando. Agora, ele volta a interpretar Frank Castle em O Justiceiro: Uma Última Morte, nova produção do MCU que chega com o selo Spotlight ao streaming e expõe um problema da Marvel: o medo de assumir o formato de telefilme.
Uma Última Morte mostra Frank Castle lidando com os fantasmas do passado. Seja com os traumas militares ou a perda da família, sua mente trabalha o tempo todo com visões daqueles que ficaram para trás. Vivendo em um bairro tomado pela violência após a morte dos chefões da máfia local, Frank acaba tendo sua cabeça colocada a prêmio quando Ma Gnucci (Judith Light) oferece uma recompensa por sua morte e revela o local onde ele vive.
Bernthal já havia conquistado o coração dos fãs com sua aparição na segunda temporada de Demolidor, ainda na Netflix. Seu retorno em Renascido também foi comemorado, e a ideia de vê-lo em Homem-Aranha: Um Novo Dia deixou claro que o plano da Marvel era manter o personagem por perto. O especial chega como uma ponte entre esses dois mundos. Sem deixar claro em que momento da linha do tempo entre Demolidor: Renascido e o filme do Amigão da Vizinhança a trama acontece, o grande objetivo é estabelecer o Justiceiro como uma peça importante nesse tabuleiro — e isso funciona.
Dirigido por Reinaldo Marcus Green, que já havia trabalhado com Jon Bernthal em King Richard, o especial bebe da influência de Operação Invasão e transforma seu clímax em uma grande guerra entre Frank e seus perseguidores dentro de um conjunto habitacional. Green, com o auxílio do diretor de fotografia Robert Elswit (Sangue Negro, O Abutre), trabalha bem a tensão dos corredores e apartamentos apertados, com uma ação violenta e bem coreografada. Bernthal tem a força física e a fúria perfeitas para o papel, tornando Frank uma força incontrolável — ainda que familiar para quem já acompanhou outras produções com o personagem.
O que Uma Última Morte acaba perdendo é a oportunidade de mergulhar na mente desse personagem e mostrar como a violência é sua única resposta aos males que o cercam, inclusive em sua decisão final na história. Com cerca de 45 minutos, o roteiro não encontra tempo para desenvolver essa ideia nem os traumas de Frank, tornando a narrativa rasa e incompleta.
A simplicidade com que o roteiro mistura os traumas de Frank — quase colocando no mesmo nível suas decisões no exército e a perda da família — torna o personagem menos complexo e mais reativo às pressões do mundo ao redor. Mesmo quando é confrontado por Ma Gnucci, nunca vemos Frank questionar se ele próprio faz parte dessa engrenagem de morte e violência que o cerca, algo que os melhores momentos do personagem ao lado do Demolidor nas séries anteriores exploravam muito bem.
Isso escancara como o formato escolhido é equivocado, e como o medo da Marvel de desvalorizar suas IPs com telefilmes acaba prejudicando as próprias histórias. E não, não precisaríamos de uma série para resolver isso, mas O Justiceiro: Uma Última Morte merecia ao menos mais 20 ou 30 minutos para que pudéssemos entrar de verdade na mente de Frank Castle — algo que parece ainda mais fácil graças à ótima encarnação de Bernthal.
É um formato simples que poderia beneficiar não apenas essa produção, mas também histórias menores que ajudam a compor esse grande universo. Nem tudo precisa ser um evento extraordinário no MCU. Mas, depois de tantos anos, altos e baixos, o estúdio já não pode se dar ao luxo de entregar histórias pela metade.
O Justiceiro: Uma Última Morte
The Punisher: One Last Kill
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